Durante anos, Fernando Algueira e sua esposa Ana Pérez dedicaram-se ao cultivo de 11 hectares de vinhedos abandonados em Lugo (no noroeste da Espanha), nas margens do rio Sil. Ninguém disse que o trabalho seria fácil, mas por que não ousar? Os primeiros esforços deram lugar à esperança. Essa esperança levou a descobertas, entre elas um grupo de variedades tintas, pouco conhecidas, mas que se revelaram extremamente interessantes. Por que não elaborar um tinto à altura de um grande branco galego? Algum tempo depois, todo esse trabalho concretizou-se no tinto Algueira Merenzao Risco.
Como indica o nome, Algueira Merenzao Risco é um monovarietal com alma de merenzao. Em particular, esta variedade tinta é uma das uvas mais intrigantes da D.O. Ribeira Sacra e, embora não muito cultivada, gradualmente seu nome começa a ressoar e a conquistar seu espaço neste universo enológico. Já se conhecem mais dados sobre ela (na França também é cultivada sob o nome de Trousseau, trata-se de uma variedade muito vulnerável a fungos, necessita de muitas horas de sol para sua maturação, também é encontrada no norte de Portugal, por enquanto ninguém sabe como chegou à Espanha...); no entanto, há 20 anos, Fernando e Ana tiveram que aprender a compreender, conhecer e desvendar todos os seus segredos: sua evolução, seu comportamento e seu desenvolvimento sobre os solos de ardósia, quartzo e xisto que abundam nas encostas desta propriedade da D.O. Ribeira Sacra.
Nas adegas Algueira, cada variedade é cultivada em uma parcela. E cada uma dessas parcelas é vinificada individualmente. Algueira Merenzao Risco é a exceção que confirma essa regra, já que os cachos deste tinto provêm de diversos vinhedos com um fator comum: sua orientação sudoeste e seu microclima mediterrâneo com influências atlânticas. Esses cachos são colhidos e pisados diretamente com os pés (dependendo da safra, às vezes até com engaço), em barris de 600 litros onde Algueira Merenzao Risco realiza a maceração. Essa mistura, onde as cascas estarão em contato com o mosto, será realizada a frio até que comece a fermentação de Algueira Merenzao Risco. Até esse momento, a temperatura será baixa para evitar que as leveduras fiquem adormecidas, incapazes de começar a trabalhar. No momento em que o mercúrio subir, esse fungo unicelular entrará em ação, convertendo os açúcares (glicose) em álcool (etanol) e dióxido de carbono. No caso de Algueira Merenzao Risco, esse processo ocorrerá em tanques de aço inoxidável e carvalho francês (onde este tinto repousará por cerca de meio ano).
Em todo esse processo, as leveduras serão autóctones, próprias do território, garantindo que Algueira Merenzao Risco seja o puro reflexo do terroir da D.O. Ribeira Sacra. Um verdadeiro tintazo sem complexos!