Além de ser um grande négociant e vigneron, Désiré Cordier foi um visionário do marketing. Observador e extremamente perspicaz, ele percebeu como as estatísticas mostravam que os habitantes de Saint-Julien desfrutavam de uma expectativa de vida superior à média nacional. “Os argumentos sustentados em números demonstram que o Médoc, e mais particularmente Saint-Julien, é o verdadeiro país dos octogenários, o que prova de maneira mais conclusiva que o vinho — e por vinho entende-se o bom vinho — é, como eu disse, o elixir da longa vida!”, sentenciou. E assim, graças a vinhos como Château Talbot Connetable de Talbot, tanto Cordier quanto sua empresa conseguiram tornar-se imortais. No entanto, apesar de ser um visionário do marketing e da publicidade, toda a fama de que goza o Château Talbot não veio do nada. Todas as bênçãos e reconhecimentos são frutos de encontrar o equilíbrio perfeito entre tradição e inovação. Essa conjunção ideal pode ser constatada atualmente na grande adega, concluída em 2016, com capacidade para abrigar cerca de 1.800 barricas.
Considerado um dos melhores segundos vinhos do Médoc, Château Talbot Connetable de Talbot surgiu nos anos 60 e desde então, assim como Château Talbot (o primeiro vinho), tornou-se indispensável nesta casa. Já se sabe o que dizem: os segundos nem sempre precisam ser piores que os primeiros. Château Talbot Connetable de Talbot simboliza muito mais que isso: uma paixão, uma vida de sacrifícios e um trabalho cada vez mais rigoroso no vinhedo, com o qual, ano após ano, se consegue melhorar as qualidades e as características deste tinto.
Logo ao norte, no limite entre a A.O.C. Saint-Julien e a A.O.C. Pauillac, encontra-se a origem de Château Talbot Connetable de Talbot, nas 110 hectares de propriedade da família. Hoje em dia, à frente de tudo está Nancy Bignon Cordier, bisneta de Désiré e atual proprietária do negócio, que também se dedica a supervisionar todo o processo de elaboração: desde o campo até o engarrafamento, passando pela assemblage, sem dúvida um dos momentos mais importantes. Este ponto é fundamental para encontrar a percentagem exata de cada variedade que permita demonstrar todo o trabalho e esforço realizados no campo. No caso de Château Talbot, toda a propriedade é trabalhada por parcelas separadas, em ritmos distintos, dando a cada cepa o tempo necessário para atingir a maturidade. Entre elas predominam as variedades tintas (ocupando 105 hectares), destacando-se a cabernet sauvignon (em 66% da superfície), seguida pela merlot (em 30%) e a petit-verdot (em 4%). Todas elas crescem sobre solos de cascalho fino, altamente drenantes, com um núcleo de pedra calcária rica em fósseis, que conferem a esses vinhos um grande superpoder: a condição de estarem perfeitos para consumo tanto jovens quanto após o envelhecimento. Château Talbot Connetable de Talbot fermenta em tanques de aço inoxidável, mas passa mais de um ano amadurecendo em barricas de carvalho francês. Mas acredite, não haveria problema se este tinto não passasse esse tempo em repouso. O que é bom permanece bom de qualquer forma. E Château Talbot Connetable de Talbot é uma dessas coisas.