No mundo do vinho, existem aqueles que fazem mais do que simplesmente produzir garrafas: capturam o tempo. Carlos Moro é um desses personagens. Desde o seu projeto na Ribera del Duero, ele construiu um legado vitivinícola que ultrapassou fronteiras, adquirindo ativos em Rioja, Toro e Ribeiro. Hoje, com três adegas na Ribera —Matarromera, Renacimiento e Emina— sua missão é clara: escolher os melhores terroirs, selecionar as variedades de uva mais nobres e aplicar práticas que garantam vinhos excepcionais. Mas o mais difícil, e ao mesmo tempo mais valioso, é manter esses níveis de excelência ano após ano.
Fundada em 1988, Bodega Matarromera consolidou-se como uma das principais referências do país. Suas 200 hectares de vinhedos próprios, situadas no coração da Milla de Oro da Ribera del Duero, são testemunhos de uma filosofia simples, mas poderosa: o respeito absoluto pela terra e a paciência infinita para deixar que o tempo faça sua magia.
Um exemplo perfeito dessa abordagem é Matarromera Gran Reserva. Sua história começa em San Román, um dos vinhedos mais emblemáticos da adega, que abraça Valbuena de Duero com suas encostas calcárias banhadas pelo rio Duero. A vindima é realizada manualmente em pequenas caixas de 12 quilos, seguida de uma tripla seleção que assegura apenas a uva perfeita: primeiro na parcela, depois cacho por cacho e finalmente grão a grão. Cada detalhe importa.
A fermentação, com leveduras autóctones extraídas dos próprios vinhedos, confere autenticidade e singularidade. Posteriormente, o vinho envelhece 24 meses em barricas de carvalho, seguido de mais 3 anos em garrafa, até atingir a maturidade e a harmonia que o definem. O resultado é um tinto que só vê a luz após 6 ou 7 anos desde a sua vindima, um verdadeiro exemplo de como capturar o tempo em uma garrafa.
Matarromera Gran Reserva é uma lição de paciência, de respeito pela tradição e de amor pela terra. Com essa visão, Carlos Moro e sua equipe não apenas produzem vinho: fazem do tempo sua matéria-prima mais valiosa.