Dizem que é melhor que falem mal de você do que não falem. Porque, no fim das contas, o pior é a indiferença.
E foi exatamente isso que aconteceu durante anos com muitas vinhas velhas na região de Zamora (Castilla y León). Simplesmente, ninguém falava delas. Por sorte, houve quem soube olhar além, parar onde outros passavam direto e escutar o que essas vinhas esquecidas ainda tinham a dizer.
Assim nasce Viñas del Cérit, em 2004, um projeto cuja missão é dar voz a um patrimônio vitícola quase ignorado. Especialmente ao tempranillo, a variedade estrela nesta região de Vinos de la Tierra de Zamora, em Castilla y León. Mas não só de tintos vive a terra. José Manuel Benéitez, enólogo do projeto, deu um passo além, recuperando também vinhedos centenários de uvas brancas tradicionais, que durante anos foram deixadas de lado por não estarem "na moda". Hoje, essas variedades esquecidas são as protagonistas de um vinho singular.
Cérit Blanco é uma homenagem a essa diversidade escondida: um corte natural de doña blanca, albillo, godello, verdejo, palomino… e outras joias que convivem há mais de um século em pequenas parcelas esquecidas. Vinhas velhas, sim. Mas cheias de vida.
A vindima é realizada manualmente, buscando não apenas maturidade, mas algo essencial: uma acidez natural vibrante. Após uma criteriosa seleção, os cachos inteiros são prensados sem desengaçar. A fermentação é espontânea e, apenas 3 dias após o início, metade do vinho é transferida para barricas de carvalho francês onde repousa sem bâtonnage durante 5 meses. O restante permanece em depósito até a assemblagem final.
O resultado é Cérit Blanco, um vinho branco fresco, complexo e com alma, que rompe com os rótulos e que valoriza o que sempre esteve ali.