Quando pensamos em Chanel No 5, vêm-nos à mente glamour, sofisticação e um toque de audácia… e, claro, Marilyn Monroe. A lenda diz que, na intimidade da sua cama, sob os lençóis, ela confessava que apenas usava algumas gotas desse perfume icónico. E que melhor publicidade para a época do que as declarações mais ousadas do maior símbolo sexual do mundo. Mas a verdade é que aquele perfume, além de todo o glamour que o envolvia, guardava um segredo na sua composição. Entre os seus ingredientes, diz-se que as groselhas negras cultivadas pela família de Domaine Jean Féry teriam feito parte da sua criação, um delicado fio que une o mundo do vinho com a perfumaria francesa.
Hoje, essa mesma paixão pela excelência reflete-se nos vinhos de Jean Féry. Esta adega familiar, fundada em 1922 e situada em Échevronne, na Borgonha, produz vinhos que combinam precisão, elegância e autenticidade. Desde as primeiras vinhas plantadas por Louis Jacob, bisavô de Laurent e Frédéric Féry, até à expansão e modernização impulsionada por Jean-Louis Féry, a família construiu um legado sólido, baseado na qualidade e no respeito absoluto pelo terroir.
Localizada entre Savigny-lès-Beaune e Pernand-Vergelesses, a adega estende-se por 32 hectares, distribuídos entre a Côte de Beaune, a Côte Chalonnaise e a Côte de Nuits, todas cultivadas de forma biológica. Cada parcela possui um caráter próprio: o solo, a altitude, a orientação solar e a inclinação combinam-se para criar vinhos com identidade, elegância e harmonia.
Concretamente, Jean Fery Savigny Les Beaune Sous La Cabotte é um pinot noir que cresce em marga calcária, fermenta de forma espontânea e envelhece em madeira usada. O seu envelhecimento é discreto, mas preciso; sem maquilhagem nem artifícios. Cada gole reflete a mesma sofisticação e delicadeza que um grande perfume, lembrando-nos que a verdadeira elegância — seja numa garrafa de vinho ou numa fragrância — reside sempre nos detalhes, mesmo em algo tão pequeno e essencial como uma groselha negra.