Por tradição, os vinhos alemães apresentavam uma acidez muito elevada. O frio e as poucas horas de sol típicas do norte faziam com que a uva demorasse a amadurecer, resultando em vinhos com baixo teor de açúcar. O início deste texto está escrito no passado não por erro, mas porque, de fato, há alguns anos, isso mudou. A principal razão: a mudança climática e o aumento da temperatura média, o que faz com que, nessas regiões onde a colheita ocorria em outubro - e até mesmo em novembro -, a uva esteja alcançando graus Baumé incomuns por lá.
As regiões que mais estão se beneficiando disso são as situadas ao sul da Alemanha, como Oberrotweil, no sudoeste, muito perto do Reno e da fronteira com a França. Lá, na região vitivinícola de Baden - a terceira maior da Alemanha - encontra-se Peter Wagner, um viticultor autor de vinhos muito finos, elegantes e frescos, com mineralidade, que supervisiona a uva ao milímetro, tentando manter os níveis tradicionais de acidez. O resultado são vinhos marcantes, como Peter Wagner Oberrotweil Spätburgunder, um tinto elaborado com spätburgunder (pinot noir).
Peter Wagner começou por conta própria em 2016. A vocação vem de família. Seu pai era um fornecedor de uvas na cooperativa que sonhava em fazer vinhos. Agora, esse sonho é vivido por seu filho desde Kaiserstuhl, uma cordilheira de origem vulcânica no vale do Reno, onde cultiva quatro hectares com pinot noir, pinot gris, müller-thurgau e chardonnay. Tudo trabalhado biodinamicamente, com esterco de cavalo e favorecendo a biodiversidade no vinhedo. Neste enclave, o solo é vulcânico, conferindo aos vinhos uma mineralidade inconfundível. Na adega, os vinhos de Peter Wagner se destacam pelo longo envelhecimento sobre borras, em depósitos de aço inoxidável ou em pequenas barricas de madeira durante 12 meses. Por fim, os vinhos não são clarificados e só são filtrados quando necessário.
Os vinhos de Peter Wagner são diferentes. Quem os provou garante que ficam na memória do degustador. Peter Wagner Oberrotweil Spätburgunder é um desses vinhos. Um vinho que, uma vez provado, não se pode esquecer.