Dizem na Abadía Retuerta que todos os seus vinhos são o fio condutor de sua história. Considerando esta afirmação, o tinto Abadía Retuerta Cuvée Palomar corresponderia às etapas de experiência, sensatez e maturidade: experiência por seus mais de cinco séculos elaborando vinhos; sensatez por saber interpretar e decifrar as necessidades de cada parcela; e maturidade ao conseguir recuperar e aprimorar um de seus vinhos históricos (que deixou de ser produzido em 2005). Corrigir é para os sábios. E saber quando parar também; mas para voltar com mais força do que nunca, tal como fez Abadía Retuerta Cuvée Palomar, que hoje é a joia da coroa desta vinícola.
A identidade de cada parcela e a consciência do terroir são os dois princípios que orientam a trajetória da Abadía de Retuerta. Esta convicção — e seus bons resultados — valeram à Abadía Retuerta sua própria DOP, o máximo reconhecimento na classificação de vinhos. Na Abadía Retuerta, cada uma das 54 parcelas é totalmente diferenciada e identificada, dependendo do tipo de solo, exposição e altitude. Esta diversidade se deve principalmente ao rio Douro, que exerce sua influência nas 180 hectares onde são cultivadas a garnacha, o tempranillo, o malbec, a graciano, e algumas variedades de branco. Todos esses vinhedos estão localizados em Sardón de Duero (Valladolid), na bacia mais estreita que o rio Douro forma ao passar por Valladolid. Justamente nesse meandro, a uma altura de 880 metros, encontram-se as videiras da Abadía de Retuerta, sobre solos calcários e margosos.
Na Abadía Retuerta, a vindima é realizada manualmente, escolhendo escrupulosamente as uvas com as quais se elaborará Abadía Retuerta Cuvée Palomar. Todos os movimentos, trasfegas e remontagens — tanto do mosto quanto do vinho — serão feitos por gravidade, conseguindo manter intactas as qualidades de seus vinhos. Há mais de 25 anos, as fermentações são realizadas por parcelas, de forma separada, a partir de leveduras autóctones selecionadas no terreno. Da mesma forma, Abadía Retuerta Cuvée Palomar realizará a fermentação malolática de forma espontânea em barricas, aguardando ser degustado.
Definido já o perfil de cava cuvée, após as diversas degustações chega o momento de realizar a assemblage e deixar o Abadía Retuerta Cuvée Palomar pronto para envelhecer nas adegas subterrâneas. Aqui, Abadía Retuerta Cuvée Palomar permanecerá em repouso, entre um e dois anos, até que chegue o momento de ser engarrafado (prévia clarificação com clara de ovo), tornando-se um tinto "elegante e complexo, com uma sensibilidade especial".