Chrysopée, palavra que deriva do grego chrysos (ouro) e poiein (fazer ou criar), é um termo ancestral da alquimia que significa literalmente “a criação do ouro” ou “a transmutação em ouro”. Contudo, não se trata apenas de um processo químico ou mágico; na alquimia clássica, a chrysopée simboliza também a transformação interior, a purificação da alma e a busca pela perfeição.
Este conceito mágico e profundo encontra seu eco nos dias de hoje no mundo do vinho, especialmente em um local especial: o Vale de Agly, no coração do Rossilhão (França). Aqui, a terra é um mosaico de terraços pedregosos com um rico fundo geológico que, combinado com o clima mediterrânico, transforma-se em um terroir único onde o homem aprendeu a cultivar com respeito e dedicação.
O enólogo Michel Chapoutier, figura emblemática da viticultura biodinâmica, ficou cativado por esta terra. Em seus solos de xisto negro e marrom, ele aporta aquele toque solar e cálido aos seus vinhos; o gnaisse confere mineralidade e frescor; enquanto a combinação de calcário e giz garante força e equilíbrio. É esta mistura mágica de elementos que dá vida ao seu vinho Bila-Haut Chrysopée.
Bila-Haut Chrysopée, um tinto parcelar, é uma expressão autêntica do terroir. Sua composição varietal combina a elegância da grenache noir e a estrutura do mourvèdre. As uvas crescem em terraços de mica-xisto do Cambriano, no “lieu-dit” Taillelauque, com vistas para o mar que parecem inspirar cada cacho. O cultivo é orgânico com tratamentos biodinâmicos, a colheita é manual, cuidando de cada detalhe, e a maturação é dividida entre 70% em cubas de concreto, que preservam a pureza e frescor, e 30% em barricas demi-muids durante 15 a 18 meses, para conferir estrutura e complexidade.
O resultado é um vinho com um perfil picante, taninos sedosos e uma pureza delicada que fazem de Bila-Haut Chrysopée um verdadeiro representante exemplar da surpreendente denominação AOP Collioure. Um vinho potente e com um genuíno toque salino que convida a experimentar a magia da chrysopée em cada taça.