Os relatórios de Tim Atkin, o Master of Wine e jornalista britânico, são venerados por milhares de enófilos. Assim, quando, coincidindo com o Dia do Tannat, variedade estrela do Uruguai, publicou seu relatório sobre os melhores vinhos uruguaios, muitos aproveitaram a publicação para se aprofundar em uma região vitivinícola ainda pouco conhecida. Uma das vinícolas destacadas pelo crítico foi Bouza, um projeto construído em 1942 à semelhança dos châteaux franceses, onde se produzem vinhos finos e de qualidade. Surpreso pelo manejo singular da uva tannat com técnicas modernas e distantes do estilo tradicional de longa maturação em madeira, Atkin nomeou Eduardo Boido, responsável pela elaboração de seus vinhos, como enólogo do ano. Mas não só isso, pois também classificou seu vinho Bouza Monte Vide Eu 2018 como o Melhor Tinto do Ano.
Propriedade dividida em dois vinhedos: o vinhedo de Melilla, onde está localizada a vinícola, e o vinhedo de Las Violetas, ambos situados na região Metropolitana, Bouza Monte Vide Eu é fruto da mistura de três variedades: tannat, merlot e tempranillo. Pratica-se uma agricultura tradicional com seleção manual da uva grão a grão e na vinícola a vinificação de cada variedade é realizada separadamente. A fermentação é feita a temperatura controlada de 26ºC, com 2 remontagens diárias e pós-maceração com 1 pigeage diário, e a maturação dura entre 9 e 16 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Sob o nome Monte Vide Eu ("Eu vi um monte"), que seriam as palavras proferidas por um marinheiro da expedição de Fernando de Magalhães ao avistar o morro da futura capital do Uruguai, Bouza Monte Vide Eu representa toda a força e caráter dos vinhos tintos do Uruguai. Um blend muito refinado de produção muito limitada que o próprio Atkin descreveu como "O melhor vinho uruguaio que já provei."