“Erva daninha nunca morre” é um ditado que, à primeira vista, fala de persistência indesejada. No entanto, na natureza, e especialmente no Bierzo (Castilla y León), essa capacidade de sobrevivência transforma-se em virtude: resistência, força e habilidade para florescer mesmo nos terrenos mais adversos. Essa mesma filosofia orienta Olga Verde Viéitez, enóloga e viticultora, que dedicou seu projeto pessoal a resgatar a essência das vinhas antigas e do terroir da região.
Um dos seus vinhos mais notáveis leva o nome de Toxo, inspirado nessa planta que, apesar de ser considerada uma “erva daninha”, é um exemplo de caráter e resiliência. O toxo cobre penhascos e trilhas com ramos cheios de espinhos e flores chamadas “chorimas”, que explodem em verdes e amarelos. Suas vagens liberam sementes com vigor, e após um incêndio é a primeira a renascer. Essa explosividade e resistência são o que Olga busca transmitir em cada garrafa de Toxo: um vinho que capture a força do terroir e a autenticidade da vinha.
O projeto Olga Verde foca na recuperação de vinhas antigas nas encostas norte de Otero de Toral, uma pequena aldeia montanhosa próxima à Vila de Corullón (no Bierzo). Lá, sete pequenas parcelas voltadas para o norte, situadas entre 540 e 620 metros de altitude, com videiras de mais de 80 anos, proporcionam a complexidade e o caráter que Olga procura. Os solos de xisto e argila, juntamente com a seleção meticulosa de uvas e técnicas tradicionais de vinificação, permitem transmitir a identidade de cada parcela.
Fruto deste trabalho, apresenta-nos Toxo Villa de Otero, um vinho intenso e equilibrado, resultado de uma vinificação artesanal de mencía e uma muito pequena proporção de doña blanca e palomino, que combina 30% de cachos inteiros com 70% de uva desengaçada, e um estágio de 11 meses em barricas de carvalho francês.
Toxo Villa de Otero é uma homenagem à força da terra, à paciência da viticultura tradicional e à visão de Olga Verde, que transforma a proverbial “erva daninha” em um símbolo de autenticidade e caráter.