Na localidade de Yasa de las Cuevas, em Calahorra (na La Rioja Oriental), a família Mazo possui há várias gerações diversas hectares de vinhedo. Atualmente, todos eles estão sob a responsabilidade de Carlos, a última geração, que se propôs —sem perder a base da tradição— a fazer as coisas de maneira diferente. Por isso, não é de estranhar que seu pai "tenha ficado de cabelos em pé" quando Carlos lhe comunicou sua intenção de plantar garnacha (e em condução vertical) neste vinhedo onde tradicionalmente se cultivava tinto-velasco (uma variedade minoritária na D.O. Ca. Rioja). "Quero conseguir elaborar uma garnacha fresca e saborosa com um pouco mais de teor alcoólico do que o que se encontra no resto da região, mas um álcool que traga alegria. Continuo buscando esse equilíbrio da fruta típica de Rioja em um vinho que também tenha corpo, mas que não siga as linhas de crianza ou reserva", afirmou Carlos em uma entrevista. Dessa forma, e sob essas novas mudanças, o famoso tinto Erosivo desta vinícola passa a se chamar En Voz Baja Nace La Sierra.
E o nome não poderia ser mais adequado para este tinto cultivado muito perto, exatamente no início, da serra de los Agudos. Aqui, a cerca de 460 metros de altitude —na aldeia de Aldeanueva de Ebro— Carlos e sua parceira Isabel colocam a alma em En Voz Baja, uma vinícola e um projeto pessoal que há vários anos está dando muito o que falar. O objetivo não é deixar de fazer as coisas como sempre, mas fazê-las melhor, com grande qualidade, conseguindo que o terroir fale por si só em cada uma das garrafas. Dessa forma, sem usar produtos químicos e seguindo práticas biodinâmicas, é como Carlos consegue encapsular em cada um de seus vinhos um pequeno pedaço dos solos argilo-ferrosos da região, ou do clima mediterrâneo continentalizado, com verões quentes e invernos secos.
Os cachos inteiros de En Voz Baja Nace La Sierra são pisados em cubas de concreto e fermentam a partir de leveduras autóctones durante cerca de dez dias. Uma vez trasfegado e prensado, o vinho passará para cubas de madeira de 1.000 litros onde permanecerá em repouso por vários meses.
"Quero que meus vinhos sejam apreciados na praia e não apenas na véspera de Natal", assegura Carlos. E ele conseguiu com louvor. Com En Voz Baja Nace La Sierra nasce um novo legado; uma nova era; um grande tinto.