No coração do Jura, a terra guarda um segredo que remonta a milhões de anos. Sob os seus vinhedos, esconde-se o leito de um antigo mar, e os solos, formados por calcários repletos de fósseis marinhos, ainda sussurram sua história. Entre eles, abundam pequenas estrelas do mar, tão presentes que deram nome a esta denominação mágica: L’Étoile, que em francês significa “estrela”. Essa origem mineral e fóssil reflete-se nos vinhos com uma precisão assombrosa: são luminosos, tensos, vibrantes... vinhos com caráter e elegância natural.
Em meio a essa paisagem de colinas escarpadas e vinhas antigas encontra-se Nicole Deriaux, alma do Domaine de Montbourgeau. Sua história começou com seu avô, lá pelos anos 20, e hoje Nicole mantém viva essa herança com uma sensibilidade única. Todas as suas vinhas estão dentro da denominação L’Étoile, embora alguns vinhos também ostentem nomes tão emblemáticos quanto Côtes du Jura, Crémant du Jura ou Arbois, segundo seu caráter.
E se há um vinho que resume o espírito deste projeto, é o seu Vin Jaune. Montbourgeau L’Étoile Vin Jaune — elaborado com 100% savagnin — é pura alquimia. Elaborado com uvas colhidas tardiamente e provenientes de solos de margas cinzentas e azuis ricas em fósseis.
Após a fermentação, o vinho é trasfegado para uma grande barrica de 30 hectolitros onde repousa 6 meses antes de iniciar sua metamorfose real: uma maturação sob véu em pequenas barricas de 230 litros, sem ser preenchidas, durante nada menos que 7 anos. Nesse período, forma-se uma finíssima camada de leveduras que protege o vinho e lhe confere sua identidade tão particular.
Quando finalmente é engarrafado — nas tradicionais clavelines de 62 cl —, o resultado é um vinho fora do tempo. Intenso, elegante, com uma energia quase eterna. Um vinho que mais do que beber, contempla-se, cheira-se, escuta-se. L’Étoile Vin Jaune é a prova de que algumas estrelas não estão no céu... mas sim no Jura.