Abel Mendoza, palavra de viticultor.

Na última quinta-feira, 5 de janeiro, visitamos Abel Mendoza, um pequeno grande viticultor localizado em San Vicente de la Sonsierra, La Rioja. Não era o melhor dia para estar com ele, um dia de muito trabalho na adega, pois era necessário preparar o Jarrarte 2016 para ser engarrafado. Mas, mesmo assim, ele nos recebeu e nos explicou sua visão sobre o vinho e o entorno que o rodeia, La Rioja.
Abel Mendoza é um homem da vinha. Seus vinhos são honestos, como o que ele prega, marcados por seus muitos anos de experiência. Abel é um autêntico vigneron dentro da Rioja e um grande defensor do terroir.
Possui cerca de 17 hectares trabalhados de forma orgânica nos arredores de San Vicente de la Sonsierra. Cultiva variedades autóctones em diversos terrenos: Tempranillo, Garnacha e Graciano em tintos e Tempranillo Blanco, Malvasía, Garnacha Blanca, Viura e Torrontés, em brancos. A maioria do vinhedo está plantada em vaso. No entanto, este ano plantou algumas parcelas em espaldeira para experimentar, embora não o faça novamente, pois os resultados não lhe agradaram. Como ele diz, se não se experimenta, não se pode opinar. Um princípio dentro de sua filosofia.
A adega, construída em 1988, conta com vários lagares típicos de concreto onde se elabora seu vinho de maceração carbônica Jarrarte. Também possui tanques de aço inoxidável para as fermentações convencionais e algumas barricas de carvalho francês para elaborar os brancos e envelhecer os tintos.
Com esses dois componentes, vinhedo e adega, Abel começa a criar. No vinhedo não há uma regra estabelecida e, como bom viticultor, ele passeia pela vinha, observa, analisa o clima e então age: podas, adubos, tratamentos (ecológicos) etc. O que conferirá o caráter da safra a cada um de seus vinhos. Na adega, os processos são pouco intervencionistas, embora isso não signifique que ele não investigue com diferentes vinificações ou coupages.
Abel é um defensor dos métodos tradicionais de elaboração e a maceração carbônica é a primeira na região, muito antes de virem os ensinamentos da França. O Jarrarte Maceración Carbónica é seu vinho preferido, com o qual ele se sente mais identificado, um vinho para desfrutar bebendo. Pudemos provar a nova safra diretamente do lagar e, de fato, é um vinho que proporciona muito prazer, suculento e frutado.
Os monovarietais de variedades brancas autóctones são sua outra grande aposta. Ele as plantou em diversos solos e as vinifica separadamente em barricas, onde fermentam e envelhecem por um tempo. Aqui ele faz uma referência à sua paixão pela Borgonha, mas com um resultado muito bom. Cada variedade se expressa de uma maneira formidável, Tempranillo Blanco=corpo, Malvasía=aromático, Garnacha Blanca=corpo + amargor, Viura=retilinidade, Torrontés=salinidade. Todos eles com uma enorme profundidade.
Grano a Grano é outra das séries mais especiais que ele faz (o cuidado com que as uvas são tratadas na entrada da adega impressiona). Familiares e amigos se reúnem para desgranarem as uvas manualmente e o grão fica intacto para que comece uma fermentação intracelular. É igual a uma maceração carbônica, mas sem engaço, o que lhe confere uma grande finesse. Após a fermentação, o vinho envelhece durante alguns meses em barricas, o que lhe confere uma boa complexidade.
Enfim, uma visita que se fez curta. Um verdadeiro prazer ouvir Abel e a maneira como ele defende as coisas, com os fatos. Sonha com um modelo onde possam coexistir tanto os grandes quanto os pequenos, em um ambiente onde cada vez mais existem adegas com maiores produções e menor afinidade pelos diferentes parajes que existem no território. Um sonhador com os pés no chão e preocupado com o futuro que o rodeia.
Muito obrigado, Abel, pela visita, grão a grão se podem alcançar grandes coisas.