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Como é produzido o rum?

08/03/2023 Destilados

Do Caribe às Ilhas Reunião, de Cuba às Filipinas, das Antilhas Francesas à Espanha, elaborado em todo o mundo, o ron se tornou uma bebida universal, um destilado clássico, mas rebelde e sedutor, que encerra toda uma filosofia de vida. Vamos conhecer um pouco mais sobre o ron, este destilado de alma pirata, que nos tem roubado o coração!

Um pouco de história

Não se sabe ao certo a origem da palavra ron (1661), embora as hipóteses apontem para um derivado de “rumbullion” ou “rumbustion”, palavras que provêm do jargão inglês e fazem referência a “um grande tumulto”, “um alvoroço ruidoso e incontrolável” que pode descrever, sem dúvida, os efeitos que este doce destilado causava entre os que o consumiam.

Sobre sua elaboração, diz-se que já na antiga Grécia se fazia uma bebida fermentada a partir da cana-de-açúcar, que foi introduzida no sul da Europa pelos comerciantes árabes. Sabe-se também que no reino de Granada se elaborava um licor à base de suco de cana fermentado.

Conta-se também que foram os navegadores ingleses e franceses que, no século XVII, ao transportarem cana-de-açúcar em seus navios, descobriram o álcool que esta produzia.

O ron, bebida de piratas e marinheiros

Verdade ou mito, o certo é que o ron é uma bebida intimamente relacionada com navegadores de toda espécie. O ron foi a bebida tradicional escolhida pelos marinheiros da marinha de guerra britânica.

Falar de ron nos remete automaticamente a pensar em piratas e bucaneiros lutando no convés de um navio, muito ao estilo de “Piratas do Caribe”. E é que a história do ron é também digna de filme.

Para mantê-los em alto-mar, os marinheiros ingleses recebiam uma ração diária de ron (conhecida como “tot”), até que em 31 de julho de 1970 este benefício foi eliminado, o que não agradou muito aos marinheiros, e que batizaram como o “black tot day”, que deu origem a uma celebração entre os produtores de ron e até mesmo há uma marca de ron com esse nome.

A relação entre os marinheiros e o ron não se limita a isso. Existe uma denominação deste destilado conhecida como “Navy Strength” ou “ron naval” e faz referência ao ron elaborado à semelhança do que se consumia nos navios da armada no século XVII e que costuma ter um sabor mais rico e uma graduação alcoólica mais alta, porque nos navios não se podia beber qualquer tipo de ron, por quê? ... Por questões de segurança.

Se já te dissemos que a história deste destilado é digna de filme. Este ron de estilo “navy strength” não é apenas uma questão de marketing. Para que um ron fosse autorizado a ser servido nos navios da armada, tinha que cumprir com o sistema “proof”, uma medida inglesa do nível de álcool de um destilado. O ron tinha que ser 100% proof, ou seja, contar com uma graduação de 57,1%. Naquelas épocas em que os navios da armada lutavam contra piratas ou escoltavam navios mercantes, era totalmente necessário garantir que, se houvesse um vazamento de ron e a pólvora se molhasse, esta mantivesse sua capacidade de combustão e isso ocorre com a graduação de 57,1%. A isso se refere a medida “proof”.

Por outro lado, a alta graduação do ron contribuía para conservá-lo em bom estado durante a travessia e para manter os marinheiros saudáveis, protegendo-os de doenças causadas por beber água em mau estado.

Como se elabora o ron?

O ron é uma bebida que se elabora a partir da destilação do álcool obtido da fermentação da melaço ou do suco da cana-de-açúcar.

Os escravos que trabalhavam nas plantações do Caribe descobriram que o melaço, um subproduto obtido durante o processo de refino do açúcar, podia ser fermentado e destilado para obter álcool. A origem do ron poderia situar-se na Ilha de Neves, segundo um documento encontrado em Barbados em 1650. Por isso sua elaboração se concentra principalmente no Caribe, embora, como te contávamos, hoje em dia se elabora praticamente em todo o mundo.

Como em todo destilado, a partir de uma base, neste caso o melaço da cana-de-açúcar, escolhe-se um método de destilação. O mais comum é em alambique de caldeira, mas há quem também utilize o alambique de coluna e, tal como acontece com a vodka, não existe uma regra ou receita precisa para estabelecer uma única maneira de destilação para elaborar ron.

Ao álcool obtido da destilação adiciona-se água pura desmineralizada para ajustar a graduação alcoólica. A partir de então já pode ser engarrafado (ron branco) ou pode ser maturado em barricas e até mesmo aromatizado. Por isso há elaborações em todo o mundo tão ricas em matizes.

O destilado mais universal

Quem nunca provou o clássico mojito, um daiquiri ou o famoso “cuba libre”! O ron é o rei da coquetelaria. Um destilado rebelde e sedutor ideal para misturar, mas também para ser apreciado gole a gole, em suas versões mais envelhecidas.

Estes são os estilos de ron mais conhecidos do mercado:

Ron Branco

É o produto que é engarrafado diretamente do alambique ou que tem muito pouco tempo em barrica. É o mais utilizado para coquetelaria.

Ron Dourado

É o ron branco que tem uma passagem muito breve por barrica, suficiente para adquirir cor e sabor.

Ron Escuro

É o preferido pelos entendidos. Considera-se “o mais fino dos rons”. Um destilado que envelhece por longos períodos em barricas de carvalho, muitas delas utilizadas anteriormente para envelhecer outros destilados como whisky ou conhaque. Um ron ideal para ser apreciado sozinho.

Ron Especiado

Um ron saboroso, cada vez mais presente no mercado, que nos oferece opções brancas, douradas e escuras (as mais frequentes) aromatizadas com canela, cascas de cítricos, baunilha ou outras especiarias. As versões leves são perfeitas para coquetelaria e as versões escuras para serem apreciadas sozinhas.

Um bom ron deve ser equilibrado. Não demasiado doce nem extremamente amargo, que tenha corpo e uma boa graduação alcoólica. O ron é tão versátil que pode ser um excelente aperitivo, um companheiro ideal para as sobremesas e perfeito para o pós-refeição ou apreciando um bom charuto (para quem tem o hábito de fumar).

Agora, finalmente, passaremos à ação. Recomendamos três rons com os quais você navegará pelos sete mares do prazer.

Você se atreve?

3 sedutores rons que você não pode deixar escapar

1. Ron Brugal 1888 Gran Reserva Familiar

Brugal & Co. localizada em Puerto Plata (República Dominicana) elabora Ron Brugal 1888, que leva o nome do ano em que a destilaria elaborou seu primeiro ron envelhecido. Brugal 1888 conta com um duplo envelhecimento, em barricas de bourbon e jerez. Um ron delicioso, perfeitamente equilibrado, onde predominam a baunilha, os frutos vermelhos e o caramelo de toffee que harmonizam com notas de cacau e madeira de carvalho. Um ron requintado, para ser apreciado com calma.

2. Ron Kraken Black Spiced

Além de uma apresentação chamativa, onde podemos ver refletido o mítico monstro da mitologia escandinava e finlandesa parecido com uma lula gigante, Ron Kraken Black Spiced é um dos rons favoritos dos bartenders. É elaborado em Trinidad e Tobago e é um ron escuro e especiado aromatizado com canela, gengibre, cravo e outras tantas especiarias exóticas, que envelhece por mais de um ano e que nos oferece uma personalidade inconfundível e uma versatilidade que permite apreciá-lo tanto sozinho, com gelo ou em interessantes combinações.

3. Ron Santa Teresa

Nascido na Venezuela, o Ron Santa Teresa 1796 é um dos mais elegantes do mercado. É elaborado sob o sistema de soleras, com misturas de até 35 anos, e em que cada garrafa de Santa Teresa contém uma parte da primeira barrica, a de 1796. Um ron seco que é pura baunilha e mel, com notas especiadas e matizes que lembram nozes, chocolate amargo ou passas. Puro prazer!

O mundo do ron é tão vasto que dá a volta ao mundo. Convidamos você a continuar viajando através da seleção de rons que pode encontrar na Decántalo. Será difícil escolher um favorito.