Descobrindo Héctor Pla e Oriol Ripoll, fundadores da Decántalo
O que fazem dois tecnólogos vendendo vinho? Essa é a primeira pergunta que surge ao conhecer Héctor Pla e Oriol Ripoll. Mas, após 20 anos de amizade, percebe-se que a vida dá voltas inesperadas... e que o vinho, de alguma forma, estava destinado a cruzar seus caminhos.
Um carrossel de emoções ainda se reflete no brilho dos seus olhos enquanto fazem uma retrospectiva do seu projeto como pais orgulhosos do seu filho: Decántalo. Recordam como começou, como foi se formando, como continua crescendo... e com aquela incerteza positiva que sempre os impulsiona a dar um passo a mais sob o seu mantra: “Vamos... e já veremos”.
1. Os polos opostos se atraem
Héctor e Oriol não poderiam ser mais diferentes. E é justamente por isso que funcionam.
Héctor é metódico e sistemático, —eu sou mais alemão— como ele diz, enquanto Oriol é um trem de alta velocidade que nunca para.
Nem sempre concordam, nem seus métodos têm muito em comum, mas há algo que os une: não se intimidam diante de nenhum obstáculo. São movidos pelo aprendizado, pela melhoria e pelo progresso, e nisso ninguém os detém. Essa motivação constante tem sido, desde o início, o motor de Decántalo.
2. “Vamos... e já veremos”
Decántalo nasceu sem manual, sem métricas e sem certezas. Literalmente.
—Não somos acadêmicos. Somos dos tempos pré-Google. Tudo o que sabemos aprendemos trabalhando —dizem.
Começaram experimentando de tudo: música eletrônica em mp3, depois azeite, depois presunto... sempre com uma visão clara: vender fora da Espanha, porque em casa a crise imobiliária tornava tudo impossível.
Até que surgiu a ideia de vender vinho. Vinho tinto, perfeito para reviver aquelas férias na Espanha. Era, sem dúvida, o produto ideal para cruzar fronteiras.
Não era loucura; era pura intuição. Era um tempo pré-e-commerce moderno, sem dados nem precedentes. Tudo era feito por tentativa e erro. Havia apenas uma certeza: se na Espanha há crise, fora haverá oportunidades.
Por isso, desde o primeiro dia, tiveram claro que Decántalo deveria ser internacional. O primeiro site foi lançado em quatro idiomas: francês, inglês, alemão e espanhol. Sem investimento, sem capital... tudo ao contrário de qualquer outro negócio.
Mas o realmente mágico foi que começaram a vender um produto que parecia impossível de vender online. No início do século XXI, o e-commerce existia, mas ninguém o usava... e muito menos se falássemos de vinho. Para muitos, era até um sacrilégio. E mesmo assim, eles fizeram funcionar.
3. O ponto de inflexão: o covid
E então chegou o covid. E mudou tudo.
A pandemia não apenas colocou o negócio à prova, como o acelerou. O tráfego disparou, o armazém se transformou em uma panela de pressão. Mas, acima de tudo, mudou os hábitos de compra. O canal online deixou de ser o plano B.
O vinho online se consolidou. O consumidor, que antes ia à sua vinoteca de confiança, foi obrigado a experimentar a loja online. E a surpresa foi enorme: chegava de forma conveniente, em condições perfeitas, com uma oferta muito extensa e a bom preço.
4. Mais de 10.000 vinhos de todo o mundo
Se há algo que torna Decántalo único, é seu catálogo infinito. Mais de 10.000 vinhos, espumantes e destilados de todo o mundo, selecionados com cuidado, para que cada cliente encontre sua garrafa perfeita.
E embora após o covid Héctor e Oriol pensassem que o crescimento iria desacelerar após dobrar o faturamento em tempos de confinamento, para sua surpresa não apenas não desacelerou, como continuou crescendo.
É nesse contexto que chegou a fusão com Le Petit Ballon, um projeto pioneiro na venda de vinho por assinatura na França cuja união impulsionou Decántalo a dar um salto decisivo: de pequena empresa independente a companhia profissionalizada, com tecnologia avançada e novas instalações.
—Não nos move apenas o resultado. Nos move o projeto em si —dizem—. Essa ilusão de acordar todos os dias com vontade de avançar, inovar e oferecer o melhor serviço é o que mantém viva a história de Decántalo... e, o melhor de tudo, é que ainda há muito por escrever.