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Decántalo
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É tempo de vindima

É tempo de vindima

O final do verão no hemisfério norte traz consigo um dos momentos mais emocionantes do ano: a vindima. Não é apenas o início de uma colheita, é o instante em que se começa a delinear a personalidade dos vinhos e espumantes que, dentro de alguns meses, estaremos ansiosos por abrir.

Mas, alguma vez te perguntaste como se decide o momento exato para começar e como uma adega se prepara para este ritual milenar?

O ciclo da videira: da lágrima ao cacho

Após o seu letargo invernal, a videira começa a despertar para iniciar novamente o seu ciclo biológico anual, composto por diferentes momentos cruciais e facilmente identificáveis: o choro, a brotação, a floração, o pintor e a vindima.

O Choro

Após a vindima e com a chegada do outono, a videira cessa a sua atividade. O verde vida esgota-se para dar lugar a um mar de plantas lenhosas que, com a chegada do frio, oferecem uma paisagem desolada e mortuária. É o momento do descanso. Durante o inverno, cada cepa dedica-se a repor nutrientes e energias indispensáveis para o novo ciclo que começará com o choro, momento assim denominado pois, quando as temperaturas começam a subir, reativa-se a circulação da seiva pelos sarmentos. Esta flui em forma de lágrima através das feridas e cortes da poda e é o sinal inequívoco de que a planta despertou para iniciar a sua atividade.

A brotação

Pode coincidir mais ou menos com a primavera e é o momento em que começam a aparecer os primeiros brotos verdes que depois serão as novas folhas da videira.

A floração

Junho é o mês da floração, um momento belo mas delicado. Nesta etapa do ciclo da videira, surgem pequenas flores brancas que, no futuro, se transformarão em cachos de uvas. No entanto, nem todas as flores vingam, ou seja, nem todas acabam por se tornar fruto. A floração da videira pode, de certa forma, determinar o início da vindima: se as cepas florescem cedo, é possível que a vindima seja precoce e, dependendo do vingamento da floração, também se pode calcular um volume estimado de colheita.

O pintor

Este momento é pura magia. Os cachos já formados continuam o seu desenvolvimento e vão ganhando cor, que nas uvas brancas passa do verde intenso para os diferentes tons de amarelo, enquanto as uvas tintas tornam-se rosadas e vão escurecendo até alcançar as suas cores características.

A vindima

Durante todo o ciclo da videira, as adegas mantêm uma vigilância rigorosa da vinha para detectar a possível aparição de pragas ou doenças. Estes controlos intensificam-se nos momentos prévios à vindima, onde, além disso, os enólogos analisam e provam as uvas dia após dia para controlar os seus níveis de maturação: verificam se os graus de açúcar e acidez são os adequados e se as bagas atingem o ponto desejado pela adega de acordo com a personalidade e características que cada adega procura imprimir nos seus vinhos.

A adega, pronta para a batalha

A preparação da adega desempenha um papel muito importante.
À medida que a data se aproxima, os enólogos dedicam-se a realizar uma limpeza exaustiva nas suas instalações, da qual pouco se fala e que é, na verdade, uma tarefa essencial. As adegas transformam-se em espaços tão limpos que parecem hospitais. Desmontam-se depósitos, limpam-se todas as peças - e mais de uma vez - até eliminar todo elemento que possa dar origem a algum foco de infeção.

Se houver qualquer tipo de contaminação, não só poderia afetar o vinho, que corre o risco de se perder, como também poderia causar contaminação humana, por isso a limpeza na adega é primordial.

Chegado o momento mais emocionante do ano, cada adega decide como realizar a sua vindima. Alguns fazem-no de forma manual, outros mecanizada. Uns vindimam à noite, outros durante o dia. Alguns procuram diferentes graus de maturação nas suas uvas, por isso realizam a vindima em etapas, no mesmo ou em diferentes vinhedos. Outros fazem-no de acordo com os dias indicados pelo calendário lunar que rege a biodinâmica...

Aproximadamente de agosto a outubro é tempo de vindima no hemisfério norte. No hemisfério sul (Argentina, Chile, Austrália...) a vindima realiza-se entre janeiro e abril.

Existem casos particulares, como o do Equador, onde, embora o cultivo da videira não seja muito comum, podem encontrar-se alguns vinhedos de altitude que, pelas características climatológicas e geográficas do país, se encontram entre os dois hemisférios e têm até duas vindimas anuais. Não havendo um inverno marcado, a videira está sempre desperta e não interrompe a sua atividade.

Viver a vindima em primeira pessoa

A vindima é um momento emocionante e decisivo, mas, acima de tudo, uma época para compartilhar com a família ou com os companheiros do árduo trabalho realizado no vinhedo durante todo o ano. A vindima é motivo de celebração!

Os viticultores agradecem o sucesso da colheita através de festas locais que transcendem fronteiras e às quais todos podem assistir, como as Festas da Vindima em Jerez ou as Festas da Vindima Riojana, a festa do vinho de Rioja, em Logroño (La Rioja) e em todas elas poderás ver e até viver algo tão romântico quanto tradicional: o pisar das uvas.

Se és um verdadeiro amante do vinho, não percas a oferta enoturística disponível na época da vindima. Apesar de ser um momento de frenética atividade, algumas adegas organizam visitas para compartilhar connosco um momento tão bonito como é a colheita das uvas para o nascimento de um vinho. Uma série de experiências que, sem dúvida, vale a pena viver em primeira pessoa.