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Decántalo
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Eloi Cedó e Nacho Martínez, vencedores do Prêmio de Degustação Vila Viniteca 2023

28/02/2024 Entrevistas

No fascinante mundo do vinho, onde cada garrafa conta uma história única, às vezes é a conexão entre as pessoas que verdadeiramente enriquece a experiência. No caso de Eloi Cedó e Nacho Martínez, essa conexão vai além de uma simples amizade; é uma aliança fundada na paixão compartilhada pelo vinho e em um profundo respeito e admiração mútuos.

Além de serem grandes profissionais e amigos, ambos formam uma equipe extraordinária e juntos alcançaram um feito notável ao vencer o 15º Prêmio Vila Viniteca de Cata por Parejas em março de 2023; um prestigiado concurso de degustação limitado a 120 duplas, que reúne apaixonados e profissionais do vinho de diversas cidades do mundo, oferecendo um suculento prêmio e que em cada edição esgota as inscrições mais rápido do que se vendem ingressos para um show do Coldplay.

Vamos descobrir um pouco mais sobre Eloi Cedó, enólogo e produtor de vinhos em Maiorca, e Nacho Martínez, sommelier e responsável por compras internacionais da Decántalo, a dupla vencedora da décima quinta edição do Prêmio Vila Viniteca de Cata por Parejas.

- Como e há quanto tempo vocês se conhecem?

Nacho:

Em 2013, visitei a vinícola 4 Kilos e lá estava Eloi ajudando Xesc na adega. Quando terminamos a degustação, me apresentei a Eloi, que estava fazendo algumas coisas na vinícola, e ele trouxe um Château Paquita (vinho que Eloi produz em Maiorca) recém-engarrafado. Ele abriu essa maravilha de vinho e, entre conversas, enquanto terminávamos o vinho, começou uma boa amizade.

Eloi:

Se não me engano, foi em 2013 ou 2014, durante o Sónar, fui à La Teca (loja de produtos gourmet), da Vila Viniteca, para beber um vinhozinho, e atrás do balcão estava Nacho com seu flow e seu jeito de fazer as coisas. Mentiria se dissesse que não fiquei encantado com seu estilo. Nesse mesmo dia, fui comprar um vinil de Coàgul e o presenteei a ele.

- Nacho, o que você pode nos dizer sobre Eloi, seu parceiro de degustação?

Eloi é um ser inclasificável e transgressor. Cuida muito dos seus e está sempre presente para que os problemas pareçam menores. Acho que seus vinhos também transmitem isso e, por isso, surpreendem. Um bom amigo com quem acumulamos muitas anedotas e com quem nos entendemos perfeitamente em nossos pequenos mundos.

- E você, Eloi, o que pode nos dizer sobre Nacho, seu parceiro de degustação?

O que dizer dele... Suponho que, acima de tudo, é um grande amigo e depois meu parceiro de degustação.

Acho que é um ser selvagem e ao mesmo tempo sensível, o que é uma dualidade brutal em um ser humano. Inteligente e boa pessoa. E, como parceiro de degustação, uma das pessoas mais conhecedoras que conheço, com um estilo de degustação superespecial; sabe o que gosta e sabe colocar em palavras.

- De todos os seus conhecimentos e experiências, o que mais os ajudou na hora de degustar?

Nacho:

Toda a experiência de todos esses anos em diferentes empresas do setor e meu trabalho atual na Decántalo, onde tenho a oportunidade de provar uma infinidade de vinhos de perfis muito diversos. Também acredito que começar no mundo do vinho, na parte de produção, ajuda a provar os vinhos de uma maneira mais livre.

Eloi:

Suponho que, sendo enólogo, o fato de não degustar os vinhos como poemas líquidos, como uma infinidade de notas aromáticas.

Minha experiência na vinícola também me ajuda a adaptar os perfis aromáticos per se de cada variedade ao meu próprio gosto. Por exemplo, sempre nos disseram que o syrah é tapenade e violeta; para mim, cheira a lixo e bicho-de-pinho (ou milpeus, em Maiorca), um bicho que costuma estar debaixo das pedras e que, ao ser tocado, libera uma feromona muito ofensiva, mas que para mim cheira a syrah.

- Quais são os prós e contras de degustar separadamente ou juntos?

Nacho:

Se for às cegas, prefiro degustar com alguém; compartilhar as inquietações que o vinho me gera com meu parceiro me ajuda a defini-lo muito melhor. Se for para analisar e avaliar um vinho, prefiro degustá-lo sozinho para que ninguém influencie minha decisão.

Eloi:

Prós é que você não está sozinho na decisão, o que, sendo eu tão indeciso... E que é justificado rir, porque um cara sozinho rindo e com uma taça na mão dá bastante medo.

Contras, suponho que cada dupla tem seus papéis e que às vezes é difícil impor a visão de si mesmo sem pisar na do parceiro. Por sorte, com Nacho tudo é bastante fluido, e quando decidimos, fazemos isso firmemente e assumindo a resposta como de ambos.

- Como surgiu a ideia de participar juntos no Concurso de Cata por Parejas de Vila Viniteca?

Eloi:

Suponho que por coleguismo, nem me lembro direito.

Nacho:

Para termos um fim de semana por ano para nós e podermos nos deliciar com uma boa refeição.

- Em 2024, o Concurso de Cata por Parejas de Vila Viniteca celebrará sua décima sexta edição e a cada ano conta com maior projeção internacional e uma suculenta recompensa. Vocês acreditam que contribui para tornar mais social o conhecimento, consumo e desfrute do vinho? A que vocês atribuem seu sucesso de convocação?

Eloi:

Acho que o que Vila Viniteca conseguiu é difícil de igualar e suponho que contribui em quase tudo o que você mencionou... no consumo interno, na degustação, com certeza. No mercado, não sei. Mas reunir 120 duplas desse nível, com toda a estrutura que montam, com a equipe que trabalha para que a degustação seja o que é, é incrível! E, no final, são dias especiais, onde nos reunimos com amigos e castigamos nossos fígados com a desculpa de aprender mais sobre o vinho.

Nacho:

É um evento que tem crescido ano após ano. Pela impecável organização da Vila Viniteca, que a cada vez o torna muito mais espetacular e também porque de vez em quando gostamos de ser desafiados.

Além disso, vem muita gente conhecida e é um fim de semana em que os bares de vinhos e restaurantes com uma boa seleção de vinhos notam a chegada de todos os participantes.

- Vocês têm participado de várias edições do Concurso de Cata por Parejas de Vila Viniteca. Como se preparam? É complicado não estarem geograficamente próximos?

Nacho:

Não nos preparamos especificamente para o concurso. É o ofício de cada um que nos faz provar muitos vinhos e de diferentes perfis separadamente. Assim, quando enfrentamos os vinhos no concurso, colocamos em prática tudo o que aprendemos ao longo dos anos. Nos complementamos muito bem na hora de tomar decisões e afinamos o vinho, nem sempre acertamos, mas os raciocínios que damos acredito que são fundamentados.

Eloi:

Na verdade, é complicado viver longe um do outro. Acho que nos preparamos pouco para o concurso, mas nos preparamos e degustamos muito para continuar crescendo a nível pessoal e profissional. Eu tento que qualquer encontro relacionado com o mundo do vinho, as pessoas coloquem os vinhos às cegas. Acho que assim você tira um rendimento duplo dos vinhos: você os bebe e se põe à prova.

- Antes de uma corrida, considera-se fundamental tomar um bom café da manhã, fazer exercícios de aquecimento e se preparar mentalmente. No contexto do concurso de degustação, vocês seguem algum ritual de preparação prévia? E, durante o concurso, há alguma parte que considerem a mais difícil?

Eloi:

Não sou muito ritualista, mas suponho que este ano tentarei copiar algo do que fiz no ano passado, ou pelo menos, a vestimenta... que é um conjunto de roupas da minha mãe e do meu irmão, que já faleceram. O maior problema que temos é que nos dias anteriores aproveitamos demais a vida, ha, ha, ha, e é difícil chegar à degustação em boas condições...

Nacho:

O mais difícil é não chegar de ressaca no dia da competição. Como disse antes, é um fim de semana em que você se reúne com muita gente e as emoções estão à flor da pele. No ano passado, nos reservamos na noite anterior, então este ano talvez tentemos fazer o mesmo.

Eloi:

Durante o concurso, para mim, o mais complicado é o protocolo, aquela hora que você fica lá dentro trancado, antes de começar o concurso, parece eterna... Acho que deveriam colocar um banheiro ou nos colocar uma sonda a todos, porque o nervosismo que o local de Barcelona me gera, com aqueles tetos e magnitude, me dá um mal-estar. Já quando nos servem os vinhos, tudo flui, façamos bem ou não.

- Vocês notaram uma diferença antes e depois de ganhar o concurso? De que isso serviu para vocês?

Eloi:

Talvez mais reconhecimento por parte de pessoas do mundo do vinho, muitos deles bons amigos, e as demonstrações de afeto nos dias posteriores ao concurso foram geniais. Mas o que mais me marcou foi a expressão de Nacho ao ganhar, e o abraço que demos, naquele dia fizemos algo bonito. Mas nem Crocs nem Almax nos patrocinaram para a degustação deste ano (brinca).

Nacho:

Acho que para nós foi mais o reconhecimento de anos de trabalho, isso foi o mais gratificante de tudo. Que sua profissão e seu modo de viver se reflitam em um prêmio e um reconhecimento por parte do mundo do vinho.

- Há algum vinho do concurso de Cata por Parejas que vocês lembram e que os surpreendeu especialmente e por quê?

Eloi:

Do ano passado, o Paul Jaboulet Aîné La Chapelle 1991, por ser um vinho emotivo. E da semifinal, o vino de pasto De La Riva, embora não o tenhamos acertado. E é muito legal que, no final, às cegas, muitos dos vinhos mais baratos são os que mais emocionam, como o Casa Castillo Monastrell 2021 do ano passado, ou um Rancio Seco de De Muller, de um concurso anterior, que deixou as pessoas boquiabertas, e, se não me engano, foi escolhido como melhor vinho à frente de Château Grillet!

Nacho:

Viña Tondonia Gran Reserva 2001. Com este vinho começamos a identificar alguns dos outros vinhos da fase classificatória que nos levaram à final, além de ser o vinho que mais gostamos da fase. E depois na final, La Chapelle 1991, de Jaboulet, por ser o vinho que acertamos de primeira, exceto a safra, e do qual guardei a taça para desfrutá-lo enquanto esperávamos o resultado.