Entrevista com Amancio Fernández de Losada Vinos de Finca
Esta semana contamos com a presença de Amancio Fernández, da bodega Losada Vinos de Finca, que nos relata o trabalho que estão realizando em sua vinícola, tanto no cuidado e elaboração de seus vinhos de Mencía, quanto na internacionalização da denominação de origem Bierzo. Não percam!

1. Conte-nos sobre as origens da vinícola, qual é a sua história?
O projeto Losada Vinos de Finca começou em 2005 com a compra de pequenas parcelas de vinhedos antigos de Mencía. Buscávamos vinhedos antigos em solos de argila para obter uma fruta excelente e elaborar vinhos muito elegantes. No início, elaborávamos em instalações alugadas, sendo que em 2010 pudemos inaugurar a nova vinícola.
2. Qual você considera seu vinho estrela? Em que você está trabalhando para o futuro?
Acredito que o vinho que mais nos identifica é Altos de Losada, pois é o resultado da recuperação de 21 parcelas de vinhedos antigos de Mencía. É nossa viticultura, nosso trabalho no campo que o define.
3. Em seu processo de elaboração, quais são os elementos diferenciadores de sua vinícola em relação às demais?
Sempre acreditei que devemos buscar elaborações que expressem as características da região e o respeito pela tradição, mas buscando vinhos que se aproximem das pessoas, não apenas dos críticos. A principal característica deve ser a harmonia entre a fruta e o envelhecimento, buscando ressaltar as qualidades do vinhedo.
4. A viticultura está em constante evolução, o que uma vinícola deve fazer para se adaptar a essas mudanças e continuar viva no mercado?
Na maioria das vezes, as soluções simples para os problemas na viticultura são as mais eficazes. Acredito que a viticultura deve se adaptar às condições específicas de cada região, seu clima, orografia, solo e variedade.
5. Como você vê a situação atual da vinicultura espanhola em relação ao mercado internacional? Qual é o espaço ocupado pelo mercado espanhol?
Acredito que as vinícolas espanholas devem perder os complexos na hora de entrar nos mercados internacionais. Embora pareça um clichê, há muito trabalho a ser feito no exterior, especialmente na divulgação dos excelentes e diversos vinhos que temos na Espanha, variedades, regiões, etc.
6. E no caso de sua vinícola, vocês estão apostando no mercado internacional? É mais fácil do que lutar pelo mercado nacional atualmente?
Para nós, desde o início, o mercado internacional tem sido muito importante, pois este é mais receptivo a vinhos de alta qualidade de pequenas regiões como a dos vinos de D.O Bierzo, do que o mercado nacional. Estamos satisfeitos com nossa aposta.
Defina-se. 5 perguntas rápidas que nos ajudem a conhecê-lo:
1. O que você prefere: vinho tinto, branco, rosé, cava ou champagne?
Não tenho preferências. Gosto de todos os vinhos que sejam honestos e fiel reflexo de uma região. O resto é definido pelo momento.
2. Qual é sua denominação de origem preferida?
Bierzo, Monsant, Ribera del Duero, Ribeira Sacra, Valdeorras… gosto, em geral, de como estão trabalhando em muitas regiões com as variedades autóctones.
3. Qual variedade de uva você prefere encontrar em um vinho?
Gosto de muitas, Mencía, Prieto Picudo, Garnacha, Godello, etc.
E a garnacha branca ou o xarel•lo para os brancos.
4. Vinho jovem ou com barrica?
Em geral, gosto de vinhos com complexidade e caráter, mas onde a barrica não mascara as qualidades de um bom vinhedo.
5. O enólogo que está elaborando vinhos que devem ser provados?
Há muitos e bons enólogos trabalhando muito bem em várias regiões. Alguns são mais conhecidos e outros trabalham de maneira mais discreta. Gosto dos vinhos que Raúl Pérez elabora, especialmente com Mencía. Mas também dos vinhos de Cesar Muñoz, Pepe Mendoza ou Toni Sarrión.
E para terminar, três recomendações de vinho ou cava. Abaixo de 10 euros, de 30 e de 50.
Abaixo de 10€
Juan Gil Monastrell Crianza 2009, D.O Jumilla
Abaixo de 30€
Enrique Mendoza Estrecho Monastrell 2005, D.O Alicante
Abaixo de 50€
Las Lamas de Descendientes de J.Palacios, D.O Bierzo