Vindima na Comando G: Vinhos finos/trabalho de alta joalheria
Dirigimo-nos à serra de Gredos para vindimar alguns dias com Fer e Dani, membros de Comando G e Daniel Landi, uma adega dedicada a realizar trabalhos de joalharia fina. Vinhos de garnacha em paisagens impressionantes, repletas de diferentes microclimas, solos e exposições. Um caleidoscópio de variáveis que buscam obter um fruto no ponto exato de maturidade, capaz de conferir uma longa vida e fineza ao vinho.

Todo o trabalho realizado durante o ano na vinha é decidido nestes meses de setembro e outubro. Portanto, são tempos de amostragens e observação. Na adega, os trabalhos são minuciosos. Muita mão de obra humana na seleção dos melhores cachos e uvas, depósitos bem selecionados de cimento e madeira para buscar diferentes propriedades e pouca maquinaria. Tudo isso para que o trabalho com a uva seja o mais artesanal possível.

O trabalho é planejado na tarde anterior, realizando amostragens de diferentes parcelas para organizar as equipes de vindimadores. Naquela tarde, fomos aos vinhedos de Rozas com Fernando, enquanto Dani foi em direção a Ávila para amostrar as parcelas de Cantos del Diablo e Fin del Mundo. Nosso percurso focou-se em analisar os pequenos vinhedos que compõem Rozas 1 Cru. Uma volta para conhecer o estado geral do vinhedo e recolher amostras para análise na adega. Quando o sol se punha, dirigimo-nos ao Grand Cru Las Umbrías, o pôr do sol brindava os últimos raios de sol às vinhas. Um cenário mágico, em altitude, rodeado de oliveiras e castanheiros. Solo composto de granito degradado, com um pouco de argila e quartzo. Solidão e natureza em estado puro. O vinhedo estava em um estado sanitário perfeito, embora ainda faltasse um pouco de maturidade. A lenta evolução da uva é perfeita para desenvolver componentes aromáticos mais complexos e também ganhar complexidade na boca.

De volta à adega, todas as amostras são analisadas, análise química e organoléptica. Provam todas as uvas das diferentes parcelas e seus mostos para poder avaliar de maneira científica e sensorial o conjunto do vinhedo. Tudo isso para vindimar no momento perfeito e apenas acompanhar a uva em seu processo para que se transforme em um grande vinho.
Com os resultados obtidos, soou o alarme, era necessário vindimar no dia seguinte Cantos del Diablo, um Grand Cru de Dani Landi. Emoção e nervosismo pelo que nos esperava no dia seguinte. No jantar, bebemos a safra 2016 de Cantos para poder imaginar as intenções e o objetivo de extrair ao máximo desta parcela. Retidão, uma leve estrutura e tons de grandes vinhos clássicos que emulam os viticultores da Borgonha.
O despertador tocou às 6:30 da manhã, ainda na escuridão percorremos vários vales e comunidades, Madrid, Ávila e Toledo em cerca de 35 minutos de trajeto. O coração de Gredos divide-se facilmente entre estas 3 comunidades. Chegamos na escuridão ao vinhedo localizado no vale de Tietar, com os primeiros raios de sol começamos a vindimar. Momentos de concentração para não errar e bom ambiente devido ao perfeito estado sanitário com que se vindimou o local. Enquanto cortávamos, as caixas cheias eram transportadas até a adega para uma minuciosa seleção. A seleção durou 12 horas, durante a tarde, aos poucos, o tino ia se enchendo e Dani o ia pisando à medida que se enchia, os trabalhos na adega prosseguiam enquanto Fer e Dani voltavam ao ritual das amostragens e de escutar os diferentes locais. A jornada terminou por volta das 22:00 da noite, introduzindo as últimas caixas de Cantos del Diablo.

Ritmo frenético e apaixonante é o que se respira em épocas de vindima em Cadalso. Muitas variáveis, muitas peças que devem se encaixar para que cada dia concilie o trabalho de campo com o da adega. Idas e vindas pelos diferentes vales que compõem Gredos, culminando com um bom jantar com toda a equipe, abrindo garrafas, fazendo família para enfrentar outro dia. Passo a passo buscando elaborar as melhores garnachas a nível mundial.