Vinhos da Galícia avaliados por Parker
Começávamos a semana com novas pontuações Parker para vinhos do Bierzo e terminávamos com novos vinhos da Galícia pontuados por Parker. Luis Gutiérrez revisa em seu novo relatório os vinhos das denominações galegas de Rías Baixas, Ribeiro, Ribeira Sacra e Monterrei, fazendo uma radiografia do estado de saúde do vinho galego.
Destacam-se uma série de pequenos produtores que estão buscando elaborar vinhos com uma personalidade própria definida, focando-se na qualidade, na agricultura ecológica, na autenticidade, nas vinhas velhas... em suma, em conseguir um vinho que reflita o caráter de cada parcela.

Por outro lado, Luis Gutiérrez critica as denominações de origem pela padronização dos vinhos e pelo enfoque no grande volume em vez da qualidade. Ele relata em seu informe como esses pequenos produtores têm que sair das denominações porque não encontram apoio para a diversidade de personalidades de seus vinhos.
Avaliando as denominações galegas, Luis Gutiérrez destaca a DO Ribeiro, um cenário interessante que experimentou uma grande evolução nos últimos 5 anos.
Uma zona tradicionalmente de grandes cooperativas, mas que está vendo como aos nomes de sempre, Luis Anxo Rodríguez ou Emilio Rojo, se somam novos projetos interessantes como El Paraguas Atlántico, Augalevada ou Cume do Avia.
Destaca-se ainda uma vinícola clássica como Viña Mein, que contratou como consultores a Comando G para tentar dar um giro aos seus vinhos: começando a cultivar vinhas de maneira orgânica e biodinâmica, utilizando o mínimo de leveduras possíveis, fermentando cada parcela separadamente, potenciando o uso de variedades locais, utilizando vinhas velhas para a elaboração de alguns de seus vinhos. Tudo em busca da autenticidade e da própria personalidade.
Da DO Rías Baixas, Luis Gutiérrez destaca os grandes produtores aos quais nos tem acostumado em seus relatórios: Albamar, Forjas del Salnés, Fulcro e Zárate, todos eles na zona do Salnés. Produtores que estão envolvidos em novos projetos para elaborar novos vinhos a cada ano, e aos quais recomenda seguir de perto sua evolução.
Avaliando as safras, temos dois anos muito diferentes. 2016 tornou-se de repente um ano complicado, quando na época da colheita chegaram as chuvas. Algo que marcou o caráter dos vinhos dessa safra, dependendo de se as uvas foram colhidas antes da chuva, com as uvas um pouco verdes e, portanto, com um ponto de acidez, ou se foi feito depois das chuvas, o que poderia levar a uma sobresaturação e, portanto, a uma perda de acidez. Algo muito valorizado e necessário nos vinhos de Rías Baixas.
Por outro lado, a safra de 2017 foi uma safra tranquila. Mais quente e seca, o que provocou um adiantamento da colheita para preservar a acidez e evitar o calor. Uma boa safra para os vinhos de Rías Baixas.
Luis Gutiérrez destaca da DO Monterrei a vinícola Quinta da Muradella e seus vinhos provenientes da zona mais quente da Galícia com um característico fundo mineral. Vinhos que Gutiérrez avalia com uma evolução muito positiva ano após ano.
E por último, na Ribeira Sacra, a vinícola Envínate, um projeto originário de Tenerife, que está trabalhando com pequenas parcelas de vinhas velhas. Ou Fedellos do Couto, uma pequena vinícola que está trabalhando em pequenas parcelas de solos graníticos com um clima fresco, elaborando vinhos com uma grande personalidade.
Galícia, uma terra que tenta mudar sua maneira histórica de elaborar, deixando de lado a grande produção e buscando a personalidade e a autenticidade de cada canto de seu diverso território.
Neste link você encontra todos os vinhos da Galícia pontuados por Parker. Esperamos que goste.