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Decántalo
Blog de vinhos
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História do barril II: Origem do carvalho e fabricação do barril

Existem dois países que, devido à sua climatologia e às características dos seus solos, permitem um desenvolvimento ótimo do carvalho. Esses países são os Estados Unidos e a França. Há outras regiões que recentemente têm oferecido carvalho de boa qualidade, como a Península Ibérica e a Europa Oriental.

Na França, existem dois carvalhais destacados. Um na região central, onde se encontram as zonas de Nevers, Allier e Tronçais. Os carvalhos que crescem ali pertencem à espécie Quercus petraea ou sessilis. Este tipo de carvalho prefere solos pobres e arenosos. Neles, os carvalhos crescem altos e delgados, com pouca separação entre os anéis anuais devido ao crescimento lento, resultando em madeiras de grão fino. Este tipo de madeira tem um teor de taninos de 45 gr/kg, sendo uma das mais indicadas para a maturação de vinhos. Suas notas aromáticas habituais são especiadas.

Em Limousin, as terras são férteis e em seus bosques abunda a espécie Quercus robur ou pedunculata. Estes são carvalhos largos, baixos, com troncos de grande diâmetro e sua madeira é de estrutura porosa, com grão largo devido à maior separação entre as linhas de crescimento. Possuem alto teor de taninos, 55 gr/kg, e com eles se obtêm aromas de amêndoa torrada e caramelo. São utilizados para a maturação de destilados do vinho, como Cognacs e Armagnacs.

O Quercus Alba é o mais representativo dos carvalhos americanos. Esta espécie é cultivada na costa leste dos EUA. É um carvalho de textura forte, cuja madeira aporta menos taninos ao vinho tinto. É mais rico em vanilina e lactonas, que conferem aromas de baunilha e coco. O resultado desses fatores são barricas que produzem vinhos pouco adstringentes e mais suaves. Não é utilizado apenas no envelhecimento de vinhos, mas também, e de forma majoritária, na indústria da venda de whisky.

Na elaboração de barricas, influenciam o corte e a secagem da madeira, a montagem e a tosta da barrica.

barrica

Existem dois sistemas de corte para a obtenção das aduelas, as peças das quais se fabricam as barricas: o serrado e o fendido. Devido à sua baixa permeabilidade e forte textura, o carvalho americano pode ser cortado pelo sistema de serrado. Por este sistema, obtém-se um maior rendimento em aduelas do que se cortarmos pelo sistema de fendido, utilizado para o carvalho francês e com o qual se descarta entre 40% e 60% da madeira.

Com a secagem das aduelas, diminui-se a umidade da madeira, obtendo-se 15% de umidade ao final do processo. Assim, transforma-se uma madeira verde e agressiva em uma madeira seca e aromática, perdendo amargor e adstringência. A secagem ideal é a natural, na qual as aduelas são empilhadas ao ar livre durante dois ou três anos, permitindo que as mudanças climáticas e os microrganismos atuem. Com a secagem artificial, através de fornos ventilados, otimiza-se o tempo de secagem. É um processo mais econômico, mas do qual se obtêm barricas de menor qualidade.
A montagem das barricas é totalmente artesanal. Para o encaixe das aduelas, não se utiliza nenhum tipo de cola ou pregos. Aplicando calor e umidade, dobram-se as aduelas e, com a ajuda de aros galvanizados, dá-se forma à barrica.

Na tosta, queima-se o interior da barrica sobre fogo de lenha de carvalho ou fogo elétrico. Existem três graus de tosta – leve, média e forte – que proporcionam ao vinho diferentes aromas de maturação.

Também é importante considerar que o tempo de crescimento do carvalho francês para barricas de uso enológico pode ser quase o dobro do carvalho americano. Além disso, há uma grande diferença no rendimento do processo de fabricação: de 1 metro cúbico de carvalho americano obtêm-se quatro barricas, enquanto do carvalho francês, apenas duas.

Disso, podemos deduzir a variação econômica entre uma barrica padrão de 225 litros de carvalho francês, que custa de 500 a 800 euros, e a de carvalho americano, que vale de 250 a 400 euros.

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