A frescura no vinho
Não há dúvida alguma. Seja por tendência natural ou sugerida pelas grandes publicações especializadas, parece inegável que as preferências dos consumidores estão cada vez mais voltadas para a busca de vinhos de perfil fresco.
Mas o que é a frescura no vinho? Em que consiste? Como identificá-la? Para responder a estas e outras perguntas, na Decántalo decidimos elaborar este artigo sobre a frescura no vinho que esperamos que seja útil para você. Vamos começar!
Começa a degustação. Foto por Cumidanciki (CC BY 2.0)
Antes de mais nada, vale a pena esclarecer a que nos referimos como frescura em um vinho. E a resposta é simples: Entendemos frescura como uma percepção positiva da acidez do vinho.
O vinho é uma bebida ácida por natureza. De fato, todos os sucos de frutas são, e o vinho, embora seja um suco fermentado, não é exceção. Dentro do vinho podemos encontrar três tipos diferentes de ácidos, que conferirão diferentes sensações ao paladar:
Ácido tartárico: Proporciona sensações de fruta madura, sabores frescos e agradáveis, bem como as características notas “vinhosas”.
Ácido málico: Confere ao vinho notas ásperas pouco agradáveis, como de “verdor”.
Ácido cítrico: Quem não conhece as características notas de frescura e vivacidade deste ácido?
Como ideia geral, poderíamos dizer que uma acidez correta produzirá sensação de frescura, frutado, exuberância, personalidade, vivacidade (também em vinhos envelhecidos) e qualidade, enquanto uma baixa acidez ou frescura nos dará a sensação de um vinho pesado e alcoólico. Por outro lado, uma acidez demasiado alta também nos oferecerá sensações desagradáveis.
Uma das conclusões mais difundidas, e por vezes errôneas, acerca da frescura no vinho, surge quando dizemos que a frescura de um vinho está relacionada com a insolação e temperatura. Esta é uma conclusão lógica, embora nem sempre verdadeira:
E é que, assim como em todas as frutas, quanto maior o calor, mais maturidade (e menos acidez), também desempenham um papel importante o tipo de terreno, a tanicidade do vinho, bem como o contraste de temperaturas diurnas e noturnas. Um claro exemplo deste último ponto são os excelentes vinhos frescos que a família Eguren obtém na quente DO Toro.
Mas deixemos a teoria de lado e vamos à prática. Aqui estão três recomendações de vinhos frescos que você não pode perder:
El Castro de Valtuille Mencía Joven. Maravilhoso monovarietal da variedade Mencía elaborado sob a batuta do enólogo Raúl Pérez na DO Bierzo. Uma explosão de frutas maduras, flores, juventude e frescura.
Almirez. Já que mencionamos, não poderíamos deixar de recomendar a excelente sensação de fruta fresca que os irmãos Eguren nos proporcionam em cada um de seus vinhos elaborados na vinícola Teso la Monja na Denominação de Origem Toro. Uma verdadeira maravilha premiada com nada menos que 93 pontos Parker.
Artadi Joven. Merece uma menção especial a maceração carbônica das bodegas Artadi se o que buscamos é sensação de acidez e frescura. Um vinho muito amplo e prazeroso. Não deixe de experimentá-lo.
Anime-se a descobri-los. Você vai adorar!
