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Decántalo
Blog de vinhos
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Aventuras e desventuras do vinho espumante na Espanha

Considerando que o vinho espumante tem suas origens na França, quando o monge beneditino chamado Dom Pierre Pérignon em 1688, por engano, elaborou um “vinho louco” com bolhas, a verdade é que tiveram que passar quase 150 anos para que fosse aceito na Espanha, apesar da popularidade que já tinha em outros países europeus como França ou Reino Unido.

cavas codorniu

Sendo uma bebida de consumo exclusivamente acessível a reis e nobres, o champagne, o vinho espumante francês, não era uma bebida que agradava aos Bourbons e não foi até a chegada ao trono de Amadeo I de Saboya, que exportou os gostos da corte italiana, que se iniciou o consumo desta glamorosa bebida com bolhas. Fato que, embora tenha demorado a chegar, não impediu que atualmente tenhamos uma ampla gama de vinhos espumantes espanhóis que merecem ser provados e que podem ser encontrados em nosso site.

A chegada dos vinhos espumantes à Espanha

Se dermos uma volta pela história, os vinhos espumantes chegam da França à Espanha por três caminhos distintos:

1-    Através dos próprios franceses que viviam na Espanha.

2-    Por meio de técnicos espanhóis que haviam viajado à França para estudar e aperfeiçoar seus conhecimentos vitivinícolas e enológicos.

3-    Através dos fabricantes catalães especializados em rolhas de cortiça que exportavam para a França.

No entanto, é preciso ter em mente que, embora qualquer um desses três motivos procedesse de empreendedores e burgueses, a verdade é que o champagne começou sendo uma bebida de nobres e, até que não foi aceito pela casa real com a chegada de Amadeo I de Saboya ao trono, não teve razão de ser.

Os primeiros espumantes espanhóis

Uma vez que a Casa Real colocou o champagne na moda, produtores espanhóis se apressaram a embarcar nessa tendência e começaram a elaborar seus próprios vinhos espumantes com as três variedades brancas macabeo, parellada e xarel·lo. Entre as figuras a destacar está Josep Raventós i Fatjó de Codorniu, que, após visitar a região francesa de Champagne, inicia o que será o princípio de toda uma indústria de vinhos espumantes espanhóis a nível mundial que chegou até os nossos dias.

Após a morte de Raventós, é seu filho, Manuel Raventós quem assume o comando da Finca e decide apostar fortemente no vinho espumante da Espanha dedicando toda a produção à elaboração desses vinhos pelo método tradicional. Todo um esforço do qual soube sair vitorioso, mesmo com a devastadora filoxera, e que o levou a conseguir a medalha de ouro na Exposição Universal de Barcelona em 1888. Bom negociante catalão, aproveitou o momento para fazer as Américas em Cuba e Argentina, conseguindo colocar o vinho espumante espanhol nas primeiras posições do consumo internacional.

Além disso, fatos como a tarifa de Cánovas em 1892, uma lei protecionista que proporcionava um mercado em exclusividade e sem concorrência externa, ou a parada de produção de champanhe durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), foram o empurrão final para promover os vinhos espumantes espanhóis.

O nascimento do cava

Com o nascimento da Comunidade Europeia em 1957, o até então chamado champanhe espanhol é obrigado a mudar de nome. Os franceses reivindicavam a exclusividade do nome por ser de origem, assim como a Espanha fez com Jerez. É então que produtores catalães tentam regular o sabor e a qualidade dos vinhos espumantes e criam a Denominação de Origem Cava em 1959. Algo que não saiu como eles desejavam, já que acabaram se juntando produtores de espumantes de outras regiões espanholas como La Rioja, Aragón, País Basco, Navarra, Valência ou Extremadura.

No entanto, com a entrada da Espanha na Comunidade Europeia em 1986, é esta organização que toma providências, ditando as regulamentações para poder pertencer a esta denominação. Algo que, embora leve muitas regiões a perder esse direito, continuará sendo uma denominação sem demarcação territorial.

Por outro lado, a expressão francesa “méthode champenoise” que só podia ser utilizada pelos produtores franceses, deixa de ser exclusiva por se tratar de uma maneira de elaborar e, a partir do ano de 1994, todos os produtores de espumantes com segunda fermentação na garrafa podem utilizá-la. Embora em muitos dos rótulos de vinhos espanhóis da Espanha seja mais usual utilizar o termo “método tradicional”.

Os vinhos espumantes espanhóis de hoje

Atualmente, a produção de vinho espumante na Espanha goza de muito boa saúde. Apesar da forte concorrência que tem com seu país vizinho tanto em qualidade quanto em preço, a cada dia são mais os produtores que se esforçam para elaborar grandes vinhos espumantes. Inclusive há aqueles que, com o objetivo de potencializar as características do terroir e variedades específicas de sua região, decidiram se desvincular da denominação de origem Cava para tentar seguir o exemplo de zonificação de qualidade estabelecido na Champanhe, criando novas denominações ou mantendo-se à margem das existentes para se diferenciar e potencializar a qualidade e, sobretudo, a identidade de seus espumantes.

Da mesma forma, estão ressurgindo antigas maneiras de elaboração de vinhos espumantes como o método ancestral, isso sim, com uma vigilância mais estrita em questões qualitativas e com manipulações tanto no vinhedo quanto na adega menos intervencionistas e mais respeitosas com o entorno e o produto.

O que fica evidente é que as bolhas espanholas são cada vez mais elaboradas com cuidado, expressam uma identidade característica e estão a preços bastante competitivos. Aos vinhos espumantes da Espanha não falta glamour para enfeitar qualquer celebração e, para provar isso, em nosso site oferecemos centenas de bolhas para que você possa comprovar.

Imagem das cavas de Codorniu. Catalunha.

www.visitascodorniu.com/videos-imagenes

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