Entrevista com Josep Grau de Josep Grau Viticultors
Para que tenham todas as informações necessárias sobre os vossos vinhos favoritos, lançamos uma nova seção de entrevistas com enólogos. Quem melhor do que eles para nos revelar os segredos dos seus vinhos e do seu processo de elaboração?
Esta semana conversamos com Josep Grau de Josep Grau Viticultor, D.O. Montsant.

1. Conte-nos sobre as origens da vinícola, qual é a sua história?
Em 2001, havia terminado os estudos de enologia e concluído que queria elaborar um vinho de garnacha 100% à imagem do Chateauneuf du Pape. Eram os meus vinhos favoritos, então comecei a procurar um vinhedo antigo com caráter especial e personalidade e o encontrei em Capçanes. Era uma propriedade com dois terroirs diferentes (argiloso e calcário) na mesma hectare, uma vinha com mais de 100 anos plantada após a filoxera em um cenário maravilhoso. O potencial me parecia incrível. Assim, com minha esposa, decidi construir a vinícola no meio do vinhedo para completar absolutamente o ciclo. Mas só me permitiram construir 50 metros quadrados, então quando a produção aumentou, não tive outra escolha senão me mudar para Marçà, para outra propriedade a 3 km da primeira. Lá transformei uma casa do início do século em vinícola, adicionando 7 quartos de enoturismo para os amantes do vinho (Mas Figueres). Agora temos 17 hectares de vinhedos antigos distribuídos em 11 propriedades de diferentes terroirs (argilosos, calcários e xistos). Todos têm sua própria personalidade, todos nos trazem algo específico.
2. Qual você considera seu vinho estrela? Em que está trabalhando para o futuro?
Amo todos os meus vinhos igualmente. Cada um me traz uma satisfação e uma realização. É por isso que faço vinhos, porque me realizam pessoalmente. Se um vinho não vai me trazer crescimento, prefiro não fazê-lo. Para o futuro, estou estudando mais as variedades tradicionais da região (garnachas e samsó). Em breve estará pronto um vinho de Samsó 100%, que acredito ser uma evolução radical de como entender a região.
3. Em seu processo de elaboração, quais são os elementos diferenciadores de sua vinícola em relação às demais?
A personalidade. Acredito que a única maneira de ter algo diferente é a personalidade de cada um, porque todos somos diferentes. Não gosto de vinhos estereotipados, essa perfeição que quase ofende. Por isso trabalho manualmente e respeitando ao máximo o vinhedo, com leveduras indígenas na vinícola, com elaboração 100% natural, assumindo os riscos continuamente: no vinhedo, na vinícola... Os vinhos não são matemática, se não deixarmos detalhes ao acaso, perdemos a personalidade. Cada um deve assumir a terra onde está e lidar com isso. Eu sei que onde estou, posso fazer determinados vinhos e não posso tentar fazer outras coisas.
4. A viticultura está em constante evolução, o que uma vinícola deve fazer para se adaptar a essas mudanças e continuar viva no mercado?
Deve respeitar o vinhedo, isso parece uma obviedade, mas nem sempre é feito. É a origem de tudo. É fácil copiar o vinho, mas é impossível copiar um vinhedo. A evolução está no respeito pela viticultura ancestral com o aumento do conhecimento atual. Temos mais conhecimentos que nossos avós. Devemos adaptá-los, mas sem perder o norte. Já sabemos que a vida vai muito rápido, mas a vinha melhora com os anos e, se queremos que dê o máximo de si, teremos que resistir com ela muitos anos. Não existe moda, tudo é pendular no vinho... vai e vem, volta a ir, e retorna com mais força.
5. Como você vê a situação atual da vinicultura espanhola em relação ao mercado internacional? Qual espaço ocupa o mercado espanhol? Acredito que estamos a anos-luz de alguns países, mas levamos vantagem sobre outros que agora estão empurrando muito forte. Temos um habitat espetacular para conseguir resultados fantásticos, mas precisamos nos valorizar, explicar nossa personalidade própria, que tem raízes muito profundas. Se fizermos bem, deixaremos um legado importante para nossos filhos. Se não, tanto esforço não terá valido a pena. Precisamos nos apressar, estamos muito atrasados e muitos parecem não perceber. Nós não somos o Novo Mundo, acredito que nosso espelho está em latitudes mais próximas.
6. E no caso da sua vinícola, vocês estão apostando no mercado internacional? É mais fácil do que lutar pelo mercado nacional agora?
Nada é fácil agora, mas por diversas circunstâncias, estivemos quase monopolizados pela exportação desde o início. Despertamos primeiro curiosidade fora e isso nos levou a exportar. Talvez pudesse ter sido o contrário, não sei. Adoro chegar à Suécia, por exemplo, um país não produtor, aberto, sem influências, e ver como valorizam meu vinho no meio dos monstros da Itália e França... Isso me reafirma no projeto. Aqui o mercado é mais fechado, mas adoro tomar meu vinho perto de casa.
Defina-se. 5 perguntas rápidas que nos ajudem a conhecê-lo:
1. O que prefere: vinho tinto, branco, rosé, cava ou champagne?
Um de cada, se possível.
2. Qual é sua denominação de origem preferida?
Prefiro falar de produtores do que de denominações.
3. Qual variedade de uva prefere encontrar em um vinho?
Garnacha, sem dúvida, menos cor, mas tem tudo.
4. Vinho jovem ou com barrica?
Depende. O último vinho que me emocionou era extraordinariamente jovem.
5. O enólogo que está elaborando vinhos que devem ser provados?
Qualquer coisa de Sara Pérez e René Barbier merece ser provada e refletida.
E para terminar, três recomendações de vinho ou cava. Abaixo de 10 euros, de 30 e de 50.
Abaixo de 10 – Petit Caus Rosat 2010.
Abaixo de 30 – Lalama 2006 de Dominio do Bibei
Abaixo de 50 – Nun Vinya dels Taus 2008 de Enric Soler / Granato 2001 de Elizabetta Foradori.