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Harmonizações natalinas: Combinar vinhos e sopas de Natal

05/12/2014 Harmonizações

As semanas passam e aproxima-se de forma inexorável o grande dia de Natal. Uma data para reunir-se em família ao redor de uma grande mesa disposta com deliciosas receitas tradicionais, de preferência, bem harmonizadas com o vinho adequado.

E justamente sobre este tema queremos falar neste post e nos que virão nos próximos dias: Como harmonizar vinhos e receitas natalinas. Assim, para entrar no assunto, inauguramos esta série de artigos com algumas ideias sobre como harmonizar um dos pratos mais tradicionais, e ao mesmo tempo mais complicados de harmonizar com vinho: A sopa de Natal.

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Caldo Tradicional de Natal. © Cuchillito y Tenedor

O caldo tradicional de Natal é feito à base de legumes (cenoura, alho-poró, nabo, batata, repolho) e diferentes carnes (frango ou galinha, porco e boi) que fervem em uma grande panela com água. O segredo de um grande caldo natalino está no tempo de cozimento, que deve ser lento, entre 3 e 5 horas, para obter um caldo concentrado, com muito sabor. Após o tempo de cozimento, todos os ingredientes são coados e a sopa é servida.

Na Catalunha é muito típico servir o caldo de Natal com galets (lumaconi em italiano), uma massa grande em forma de caracol, enquanto que, em geral, no resto da Espanha se adiciona ovo cozido ao caldo, cortado em pequenos pedaços, e pedacinhos de presunto.

Além disso, em boa parte do litoral Mediterrâneo costuma-se adicionar ao caldo as chamadas pelotas, pequenas almôndegas de carne moída e pinhões, que fervem nos últimos 20 minutos junto ao caldo. A tradição manda começar o banquete com o caldo, e atacar em seguida as carnes e vegetais que ficaram na panela.

Para harmonizar vinhos e sopas de Natal recomendaríamos optar pelos finos e manzanillas de Jerez (o caráter salino e a acidez pungente desses vinhos combinam muito bem com sopas e consomês), assim como vinhos tintos frescos, com pouca carga de madeira, preferencialmente de segundo ano e de tanicidade moderada, das variedades syrah, garnacha e pinot noir.

Aqui vão três recomendações:

Manzanilla Papirusa Lustau. Uma surpreendente manzanilla envelhecida em soleras sob véu de flor, muito influenciada pelo microclima úmido e a brisa marinha da foz do rio Guadalquivir. Um vinho versátil, salino e muito refrescante.

Cara Nord. Um vinho muito interessante elaborado com garnacha, syrah e pequenos aportes de outras uvas autóctones elaborado por Tomás Cusiné na DO Conca de Barberá. Frescor, mineralidade, amplitude, fruta e um caráter rústico que pensamos que iria muito bem com uma boa sopa de Natal.

Manga del Brujo. Novamente um corte dominado por garnacha e syrah com aportes de tempranillo e mazuela. Um vinho muito interessante, pelas mãos do enólogo e Master of Wine escocês Norrel Robertson. Polido, envolvente e de doçura muito medida.

Anime-se a prová-los. Bom apetite e bons vinhos!

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