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Os vinhos brancos do Marco de Jerez, os mais originais de Espanha

Há algum tempo, falávamos sobre os diferentes tipos de vinhos de Jerez que existiam no marco de Jerez e no vinhedo, os pagos mais importantes da região com suas características mais significativas. Hoje falaremos dos vinhos não fortificados que cada vez ganham mais protagonismo.

mediterraneo

Os vinhos brancos estão ganhando mais adeptos na região. Uma tendência liderada pelo Equipo Navazos com seu Navazos-Niepoort lá em 2009, onde começaram a resgatar elaborações antigas que eram realizadas no marco. Uma delas era os vinhos brancos não fortificados. Uma fermentação e envelhecimento em barrica durante um período onde o véu aparece de maneira tímida, conferindo uma complexidade extraordinária aos vinhos. Além disso, refletem muito bem as características dos pagos, desde os mais costeiros aos interiores de Jerez onde há maior insolação ou também onde se pode perceber os diferentes tipos de albariza. Tudo isso devido ao pouco protagonismo do véu de flor no vinho.

Ao tentar elaborar este tipo de vinhos, o vinhedo adquire uma importância especial. Os rendimentos por hectare diminuem consideravelmente para poder concentrar aromas e busca-se uma agricultura sustentável para criar uma biodiversidade.

Atualmente, cada vez mais produtores apostam por este tipo de vinhos. Eduardo Ojeda, um dos integrantes do duo Equipo Navazos, é o enólogo de Valdespino e apostou na elaboração do Ojo de Gallo, pura essência do famoso pago Macharnudo Alto.

Outra figura chave é Ramiro Ibañez, de quem já falamos anteriormente, enólogo e grande conhecedor dos vinhos do mundo, fez uma forte aposta por este tipo de vinhos que engarrafa sob o nome de Cota 45. Ele assessora alguns mayetos Sanluqueños na elaboração de vinhos brancos, cada um proveniente de diferentes pagos e que se engloba sob a marca Mayeteria Sanluqueña. Callejuela é outra das adegas onde impulsionou este tipo de vinho, onde elaboram os magníficos Callejuela Las Mercedes Pago Añina ou Callejuela Hacienda de Doña Francisca Pago Callejuela. Ultimamente, ajudando Isolina Florido no incrível enclave do Armijo com seu 12 Liños.

Willy Pérez não poderia faltar nesta lista de pessoas relevantes dentro de Jerez e, sobretudo, por sua aposta em vinhos não fortificados. Ele foi um pouco mais longe e começou a elaborar finos, ou seja, vinhos com envelhecimento sob véu de flor, mas também sem fortificação. Como se consegue isso? Adquirindo o grau alcoólico de 15º na vinha. Uma técnica que requer a colheita de uma mesma vinha para alcançar esse grau. O resultado pode ser visto em La Barajuela Fino II Saca. Ele até chegou a elaborar um oloroso sem fortificação, o que significa que precisou de cerca de 17º para conseguir um envelhecimento oxidativo do vinho.

Em resumo, os vinhos brancos não fortificados têm um perfil fresco, seco e salino, com uma boa complexidade aromática conferida pelas características específicas que lhes conferem uma tipicidade única. Além disso, possuem uma relação qualidade-prazer extremamente boa. Hoje em dia, são alguns dos vinhos brancos mais autênticos da península. Não deixem de prová-los.

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