Vinhos envelhecidos sobre borras
Untuosidade, intensidade aromática, densidade... Certamente não nos equivocaremos ao afirmar que a maioria dos nossos leitores prefere vinhos que apresentam notas como as que acabamos de mencionar. Atributos próprios, e típicos, da criação de vinhos sobre borras.
No post de hoje, queremos aprofundar um pouco mais sobre este método de elaboração, suas características e sua contribuição no produto final. Além disso, propomos 4 exemplos de vinhos criados sobre borras (2 brancos e 2 tintos) que certamente te encantarão. Vamos começar!

Uvas da variedade Pinot Noir em plena fermentação. Imagem por Stefano Lubiana
Antes de falar das virtudes da criação sobre borras, vale a pena esclarecer o que são exatamente as borras.
As borras são microorganismos, leveduras da fermentação em sua maioria, que uma vez finalizada a fermentação do vinho morrem, se decompõem e se depositam no fundo do tanque de fermentação ou da barrica.
Muitas vezes, as borras resultantes são separadas do vinho antes de iniciar o processo de criação, embora também exista a opção de deixá-las em contato com o vinho. Nesse caso, começa, então, a criação sobre borras.
Este processo proporciona ao vinho certas propriedades, como maior estabilidade, untuosidade e persistência de aromas. Para conseguir uma homogeneidade na distribuição dos compostos das borras, o vinho precisa ser agitado regularmente, seja com um utensílio em forma de bastão no caso de o vinho estar em barricas, o tradicional battonage, ou mediante remontagem se o vinho estiver em depósito.
Quer conhecer as virtudes dos vinhos com criação sobre borras? Aqui vão algumas recomendações:
doUmia 2011. Um dos nossos vinhos tintos favoritos da DO Rías Baixas (sim, dissemos vinho tinto). doUmia 2011 é um original coupage de Mencía (70%), Caíño Tinto (20%) e Espadeiro (10%) proveniente de vinhedos de muito baixo rendimento, criado durante 12 meses em inox sobre suas próprias borras. Elegante rusticidade. Um vinho muito especial, reflexo de sua terra.
Auzells. Da DO Costers del Segre, e sob a direção técnica de um grande como Tomás Cusiné, chega Auzells. Um vinho de enólogo, coupage de até 7 variedades diferentes criado durante 3 meses sobre borras. No nariz, mostra-se complexo, intenso e potente. Amplo e guloso na boca. Uma proposta a ter sempre em conta.
Nisia. Viajamos até a DO Rueda para destacar a fina untuosidade que conferem os 4 meses de trabalho de borras a este 100% Verdejo elaborado por Jorge Ordoñez, um dos grandes nomes do vinho espanhol. Uma das melhores relações qualidade-preço da DO Rueda. Um grande vinho.
Tarima Orgánico. E sem planejar, fechamos esta lista de recomendações com outra pechincha de Jorge Ordoñez. Desta vez, viajamos até a DO Alicante para destacar o excelente trabalho enológico de Tarima Orgánico 2012. Um 100% Monastrell proveniente de vinhedos ecológicos que nos oferece muito mais do que custa.
O que está esperando para prová-los? Você vai adorar!