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Vinhos laranja: a tendência que está revolucionando o vinho branco

Vinhos laranja: a tendência que está revolucionando o vinho branco

Não são vinhos de laranja. Nada mais distante da realidade. No entanto, é a primeira coisa que geralmente nos vem à mente ao ler a expressão orange wine, e não é para menos, pois seu nome gera muita confusão. Então, o que são realmente os orange wines e por que estão vivendo um momento de auge?

O que são os orange wines?

Antes de explicá-lo, comecemos pelo princípio de todos os princípios: você sabe como se elabora um vinho?


No caso dos vinhos brancos, após a vindima, as uvas chegam à adega e são desengaçadas, ou seja, as bagas são separadas do engaço. Depois, são prensadas e o mosto obtido fermenta para dar origem a um vinho branco jovem.

Nos vinhos tintos, o processo inicial é semelhante: as uvas são desengaçadas e, uma vez limpas, passam por uma máquina de esmagamento que cumpre a função da tradicional pisa com os pés. O objetivo é romper suavemente a pele das uvas para extrair grande parte do mosto sem ser agressivo. A partir daí, começa a fermentação alcoólica.

A grande diferença está no fato de que, no caso dos vinhos tintos, o mosto sempre fermenta em contato com as cascas (as peles da uva). É precisamente esse contato que confere a cor característica aos tintos, além de taninos e estrutura. A intensidade da cor dependerá tanto da variedade da uva quanto do tempo de maceração.

E é aqui que começa o “mistério” dos orange wines.

Poderíamos dizer que os orange wines são vinhos brancos elaborados como se fossem tintos. Sua característica principal é que o mosto fermenta e macera em contato com as cascas da uva.

Como as cascas conferem cor, quanto maior o tempo de contato, o vinho deixa para trás os tons pálidos típicos dos brancos jovens e evolui para cores mais intensas, que vão do dourado ao âmbar e ao laranja. Daí o seu nome: orange wines ou vinhos laranja.


Inovação ou retorno às origens?

Embora hoje estejam na moda — em grande parte graças ao impulso do movimento dos vinhos naturais —, sua elaboração é uma prática ancestral com mais de 6.000 anos de história.

Na região do Cáucaso, especialmente na Geórgia, elaboravam-se vinhos em grandes ânforas de argila chamadas kvevri ou qvevri, que eram enterradas no solo para manter uma temperatura e umidade constantes. Este método tradicional, esquecido durante séculos, está sendo recuperado por muitos enólogos atuais.

Dito isto, um orange wine não precisa ser necessariamente elaborado em ânforas. Pode ser feito em qualquer tipo de recipiente, desde que o mosto permaneça em contato com as cascas durante o tempo que o produtor decidir, seja alguns dias ou até vários meses.

Aqui é onde aparece a conexão com os vinhos naturais. Na antiguidade, a maceração com cascas ajudava a conservar o vinho graças aos sulfitos naturais presentes na pele da uva, numa época em que não existiam aditivos químicos.

Hoje, muitos produtores de vinhos naturais buscam precisamente isso: mínima intervenção, respeito ao meio ambiente e ausência de sulfitos adicionados. Os orange wines oferecem um caminho para elaborar vinhos autênticos, sem maquiagem, com personalidade própria e uma maior capacidade de conservação de forma natural.

Qual é o sabor de um orange wine?

Frequentemente se diz que são “brancos com alma de tinto”.

O contato prolongado com as cascas confere não apenas cor, mas também textura, taninos e complexidade aromática. Por isso, os orange wines costumam ter um tanino presente, embora mais sutil que o de um tinto, e um caráter mais rústico que o de um branco convencional.

Na boca, costumam ser vinhos encorpados, intensos e expressivos, com aromas complexos onde podem surgir notas minerais, salinas, lembranças de frutos secos, frutas desidratadas e especiarias.

Seu perfil variará em função da variedade de uva utilizada e do tempo de maceração. Não são vinhos para todos os gostos, mas têm um enorme potencial gastronômico que cada vez mais é aproveitado em restaurantes e bares de todo o mundo.


Como identificar um orange wine?

A cor já diz muito. Tons dourados intensos, ambarinos ou alaranjados costumam ser a primeira pista de que estamos diante de um orange wine.

Embora nem sempre apareça a categoria orange wine de forma explícita no rótulo, outra pista clara é encontrar menções como “maceração pelicular” ou “maceração em contato com as cascas” na ficha do vinho.

Para facilitar ainda mais, no site da Decántalo temos eles agrupados em uma categoria específica, para que você possa descobri-los sem complicações. E se quiser ir direto ao ponto, aqui vão três sugestões irresistíveis:

Heinrich Naked Orange NV

Desde Burgenland, Áustria, Gernot e Heike Heinrich demonstram que os brancos também podem ser audaciosos. Este orange wine combina várias variedades brancas biodinâmicas e macera em contato com suas cascas durante duas semanas, ganhando textura, corpo e caráter. É um vinho expressivo que quebra paradigmas, mostrando como um branco pode ser profundo, vibrante e cheio de personalidade.

Casa Balaguer Salicornio Malvasía

Na costa de Alicante, o projeto de Casa Balaguer recupera variedades autóctones com absoluto respeito pelo meio ambiente. Seu orange wine elaborado com Malvasía cresce junto ao mar, com influência do Parque Natural de la Mata, e se beneficia da brisa marinha e dos solos de cascalho e húmus. De mínima intervenção e fermentação espontânea, seu caráter salino e fresco transmite a essência mediterrânea em cada gole.

Pierre Frick Gewürztraminer Macération

Na Alsácia, Pierre Frick leva a biodinâmica e a mínima intervenção ao extremo. Este orange wine é elaborado com Gewürztraminer cultivada em solos calcários ricos em margas e arenitos, fermentando e macerando com suas cascas durante 7 dias e envelhecendo em barricas centenárias. Sem filtrar e sem sulfitos adicionados, é um vinho intenso, autêntico e cheio de tradição, que reflete a pureza do terroir alsaciano.


Você se anima a experimentá-los?

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