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Albariño, a casta galega mais internacional

Em que você pensa quando ouve a palavra Albariño? Alguns acreditam que Albariño é uma região geográfica; outros imaginam o mar e os frutos do mar acompanhados de uma taça de vinho branco. Talvez haja alguém que se transporte a Portugal ou, quem sabe, aos vinhedos da Califórnia. Para muitos outros, é simplesmente uma expressão que evoca um vinho branco espanhol.
A palavra em questão faz parte, sem dúvida, de cada um desses conceitos, mas que tal começarmos pelo princípio?

albariño

Albariño é uma variedade de uva branca, de cor amarelo-palha com reflexos dourado-esverdeados, também conhecida como Abelleiro na Galícia e como Alvarinho em Portugal.

Esta videira aprecia o frescor, podendo ser encontrada em áreas úmidas e pouco quentes. A cepa produz cachos pequenos com uvas de tamanho médio e forma ligeiramente elíptica, que são doces e nos remetem ao aroma de damascos.

E, o que a torna tão especial? Esta uva dá origem a vinhos brancos muito versáteis e de alta qualidade, frescos e elegantes, amados por sua acidez equilibrada, seus sabores cítricos refrescantes e secos, e aqueles maravilhosos aromas que nos lembram limões e toranjas, peras e damascos, podendo inclusive apresentar notas florais, certa lembrança mineral e um toque salino, razão pela qual harmonizam tão bem com peixes e frutos do mar. São os vinhos ideais para os amantes da culinária marítima!

Tudo isso, em linguagem técnica, se traduz no fato de que a quantidade de concentração aromática que essa uva possui se deve aos níveis muito altos de dois compostos aromáticos presentes em algumas variedades, chamados terpenos e tióis. Como você ficou?

Mas, voltemos a coisas mais cotidianas.
Agora que conhecemos um pouco mais sobre o DNA dessa uva e como são os vinhos que ela produz e que têm tanto sucesso, talvez por isso muitas pessoas pensem que Albariño é a região geográfica de onde provêm e não a uva com a qual são elaborados, pois “Albariños”, como veremos mais adiante, podem provir de diferentes latitudes geográficas.

Vale mencionar que, embora essa descrição corresponda aos vinhos monovarietais de Albariño, ou seja, aqueles elaborados exclusivamente com essa uva, também podemos encontrá-la muito bem combinada em coupages com outras uvas brancas.

Mas, que tal fazermos um passeio por algumas lendas que cercam suas origens?
A versão mais romântica a situa no Rio Mosela, que percorre Luxemburgo, Alemanha e França, passa pela reconhecida região vinícola da Alsácia e deságua no famoso rio Reno. E qual uva é a rainha do Reno? A variedade Riesling. 

As cepas de Albariño são comparadas a essa uva alemã que dá origem a refinados e longevos vinhos brancos, pois compartilham certas qualidades. Há quem se aventure a dizer que os vinhos de Albariño são “os Rieslings da Espanha”.

A lenda continua explicando que foram monges da ordem de Cister que, em sua jornada para a Galícia, a trouxeram consigo no século XII. Essa ordem religiosa teve suas origens na Abadia de Citeaux, em La Côte d’Or, na Borgonha, outra grande e mundialmente reconhecida região vinícola. Naquela época, os monges, em suas tarefas cotidianas, dedicavam-se a cuidar do Caminho de Santiago, e uma dessas tarefas consistia precisamente em replantar as vinhas.

Mas a ciência diz que a realidade é outra. Segundo pesquisas, há maior evidência de que nossa uva alba é uma cepa autóctone da Galícia, especificamente, que provém das margens do rio Umia, em Pontevedra, região onde, desde a Idade Média, se produz vinho.

Agora sim, estamos situados.
A uva Albariño é a variedade principal em Rías Baixas, que pertence à província de Pontevedra, mas também é cultivada no norte de Portugal, especialmente na Denominação de Origem Vinho Verde, que produz vinhos com o mesmo nome elaborados principalmente com Alvarinho.

Também podemos encontrar vinhedos de Albariño em outras regiões da Espanha, como em Cantábria, Castilla y León e na Catalunha.

Agora viajaremos de Monterrei (Galícia) a Monterey (Califórnia) porque nossa uva branca atravessou o Atlântico para “fazer as Américas”.

Marimar Torres, quarta geração da Família Torres, é proprietária da Vinícola Marimar Estate, na Califórnia, onde elabora vinhos há mais de 30 anos. Marimar percebeu que a Califórnia é uma terra privilegiada para o Albariño, pois aprecia o frio e a proximidade com o mar, e começou a cultivá-la no final dos anos noventa em Green Valley, localização que atende a esses requisitos climáticos.

Você sabia que nos Estados Unidos, os vinhos elaborados com Albariño estão na moda? Tornaram-se uma alternativa aos elaborados com Chardonnay e, como explicamos, a adaptabilidade climática da uva permitiu que vinícolas em Monterey, Califórnia, também aderissem ao cultivo de Albariño. 

Mas a jornada dessa cepa não termina aqui. Sua fama começa a se espalhar mundialmente e atualmente podem ser encontrados vinhedos de Albariño na Argentina, Nova Zelândia, Brasil e até mesmo no Uruguai, o que a posiciona, sem dúvida, como a uva galega mais internacional.

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