Espumantes, método Champenoise ou método ancestral?
Os espumantes no mundo do vinho têm dois elementos em comum: os açúcares e as leveduras. Dois ingredientes imprescindíveis para que se produzam as tão refrescantes bolhas.

Existem vários tipos de elaborações para que um vinho se torne um espumante. Um dos métodos mais famosos e utilizados é o método Champenoise, criado por Dom Perignon perto da cidade de Epernay em 1668, na região de Champagne, França. Na Espanha, o mesmo método foi introduzido por Joan Raventós em 1958 para começar a elaborar Cava.
O método Champenoise, em linhas gerais, consiste em que o espumante realize duas fermentações. Da primeira fermentação obtém-se um vinho tranquilo. Um vinho que é engarrafado e que realiza a segunda fermentação na garrafa, adicionando açúcar e leveduras para que produza o CO2 e se integre no vinho.
Após algumas semanas, meses ou anos, dependendo do seu envelhecimento, é degolado para remover as leveduras que já cumpriram sua função, coloca-se a rolha definitiva e, opcionalmente, adiciona-se o licor de expedição, que é composto por açúcar e algum tipo de conhaque ou uma fórmula do cavista.
Este é um método em que os processos estão bem medidos e estudados. Por exemplo, um vinho deve estar bem clarificado, ou seja, não estar turvo para que a segunda fermentação não tenha problemas, ou a quantidade de açúcar necessária para criar o gás carbônico desejado e o tempo que deve permanecer no envelhecimento para que a bolha se refine.
Mas existe um segundo método, ainda mais antigo, chamado método ancestral para criar vinho espumante. Este método data de 1531, criado pelos monges Beneditinos de Saint-Hilaire, Languedoc. A elaboração é mais simples que a do método Champenoise, pois o vinho realiza apenas uma fermentação.
Controlando os açúcares que restam para fermentar, ou seja, a densidade do vinho, ele é engarrafado para que o CO2 liberado no final da fermentação fique dentro da garrafa e se integre no vinho. A elaboração ancestral é muito mais simples e espontânea que a do método Champenoise.
Mas o número de fermentações não é a única diferença. Talvez, inclusive, não seja a mais importante. As grandes diferenças vêm do vinhedo, das variedades de uva e do clima. Um viticultor que elabora pelo método Champenoise na região de Champagne colhe a uva com 8º a 10º de álcool provável, para que depois aumente na segunda fermentação até 11º ou 12º com a adição dos açúcares. Isso, com o clima da Espanha, é completamente diferente, pois a maturidade fenólica das variedades autóctones é alcançada com um grau alcoólico provável mais elevado, de modo que a uva é colhida em um estado, digamos, um pouco mais verde, sem o desenvolvimento aromático ideal.
No entanto, com o método ancestral todos os açúcares provêm da própria uva, de modo que a maturação deve ser correta para que realize toda a fermentação e produza o CO2 desejado na garrafa.
Em suma, o método Champenoise é o mais utilizado atualmente, mas há uma nova corrente de produtores que começaram a elaborar pelo método ancestral com resultados muito interessantes. Vinhos mais diretos, frutados, mas também um pouco menos complexos devido ao fato de não terem tido um longo envelhecimento na garrafa.
Dois tipos de espumantes, elaborados de maneira diferente desde o vinhedo. Se você quiser provar e ver a diferença entre esses dois métodos de elaboração, aqui apresentamos alguns bons representantes de cada método.
De cavas elaborados com o método Champenoise, temos excelentes exemplos no Recaredo Gran Reserva Brut Nature e no At Roca Brut Reserva.
E se falamos de espumantes elaborados com o método ancestral, recomendamos La Salada Tinc Set Ancestral e o Rafael Sala Ancestral.