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Decántalo
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O vinho de Bordeaux: La rive droite

Há mais de dois séculos, a região francesa de Bordeaux (Bordéus) é reconhecida como a principal zona vinícola do mundo. O vinho Bordéus é procurado internacionalmente e muitos dos Châteaux produtores são considerados verdadeiras lendas para qualquer amante de vinho que se preze.

vinho bordéus

Bordéus é a capital da região da Nova Aquitânia, situada no sudoeste da França e marcada especialmente pelo curso de dois dos cinco rios mais longos do país: o Dordonha e o Garona, que dividem a região em três áreas: “La rive droite”, margem direita do Dordonha, “La rive gauche”, situada à esquerda do rio Garona e a região “Entre-deux-Mers” (entre dois mares) área situada entre os dois rios e que tem a particularidade de produzir vinhos brancos secos. No extremo sul encontramos também o lar dos vinhos doces e elegantes mais famosos do mundo: os vinhos de Sauternes. Tudo isso faz com que Bordéus seja o maior distrito de produção de “vinhos premium” no mundo.

Hoje falaremos sobre a região vinícola localizada na margem direita do rio Dordonha, conhecida como Libourne, berço dos vinhos de Bordéus mais míticos e desejados a nível mundial.

Pode ser que este nome não te remeta a nada em especial, mas e se falarmos de Pomerol ou Saint-Èmilion? Não desesperes, pois em breve chegaremos a isso.

O Libournais, ou “margem direita” é a região mais dinâmica de Bordéus, conhecida por seus solos de argila que produzem extraordinários vinhos tintos e onde a variedade Merlot, que nesta zona amadurece de forma precoce, é a rainha definitiva, e não a Cabernet Sauvignon, que predomina nos vinhedos da “margem esquerda”, como os do Médoc e Graves. De fato, quando se cultiva Cabernet Sauvignon em zonas de Saint Èmilion onde dominam os solos calcários, pode dar origem a vinhos fortes e tânicos, por isso não é comum que esta casta seja utilizada na “margem direita” e esta é uma das características que faz com que os vinhos do Libournais sejam tão diferentes dos que são produzidos na “margem esquerda”.

Bordéus encontra-se numa zona privilegiada, pois sua proximidade ao mar e os afluentes fluviais contribuem para que seu clima seja moderado e estável.

Pomerol e Saint Èmilion, um par de joias à margem do Dordonha.

Poderiam ser dedicados livros inteiros para falar de todas as denominações que produzem grandes vinhos na “margem direita”, mas, nesta ocasião, nos concentraremos em duas regiões: Pomerol e Saint Èmilion, duas das zonas vinícolas mais prestigiadas de todo Bordéus e além disso mundialmente conhecidas pelos extraordinários vinhos que ali nascem.

Pomerol, situada a 35 km a leste da cidade, é a região produtora de “vinhos franceses premium” mais pequena de Bordéus. Conta com cerca de 800 hectares de vinhedos assentados principalmente sobre solos arenosos. Aqui são produzidos os vinhos de Bordéus mais suaves, ricos e atraentes que podem até mesmo alcançar preços mais elevados que os Premiers Crus do Médoc (na margem esquerda do rio Garona). São vinhos que, como já mencionamos, são produzidos principalmente com a variedade Merlot acompanhada em menor quantidade por Cabernet Franc e, em mínimas proporções, por Cabernet Sauvignon, e são de cor profunda, com acidez e taninos elegantes, aromas frutados maduros, e em ocasiões são simplesmente um cúmulo explosivo de todas as suas qualidades, a expressão do que significa ser um grande vinho.

Petrus, um vinho sem Château.

Petrus é o mítico vinho de Bordéus considerado como o melhor do mundo. É produzido unicamente com a variedade Merlot que provém de um pequeno vinhedo que está plantado exclusivamente sobre parcelas de “argile bleu” (argila azul) uma classe de solo que não se encontra em nenhum outro lugar do planeta.

É o vinho mais concentrado e rico de Pomerol, potente, profundo e delicioso. Suas grandes safras têm uma força de paladar que lembram um bom Porto. Diz-se que o segredo de sua grandeza reside em seu notável equilíbrio e em seu penetrante aroma.

Este halo de lenda que envolve o Petrus também contém diversas curiosidades. Se você prestar atenção, em seu rótulo não aparece nem apareceu a palavra “Château” tão característica nos nomes dos vinhos de Bordéus. Não há nenhum autêntico “Château” (castelo) nesta propriedade, por isso os proprietários optaram por não utilizar este apelativo em seus vinhos. E por certo, na família sobrevoa uma história de heranças, roubos, traições e desaparecimento de vinhos ao mais puro estilo “Falcon Crest”. Não há dúvida de que a realidade pode superar a ficção.

Importantes personalidades também contribuíram para a fama do Petrus. O presidente norte-americano John F. Kennedy costumava abrir uma garrafa para celebrar algum sucesso importante e a rainha Elizabeth II o escolheu para ser servido em seu banquete de casamento.

A melhor (e mais cara) sangria do mundo.

Este icônico vinho bordalês tornou-se um personagem a mais dentro da literatura, da televisão e do cinema. Em uma cena do filme Barbacue (Barbecue de amigos), um dos personagens faz, por engano, uma sangria com um Petrus, e seus amigos a definem como “a melhor sangria do mundo”.

Falemos agora sobre outra das joias do Libournais: Saint Èmilion.

Está a 35 km a noroeste da cidade de Bordéus. É a região vizinha de Pomerol e é menor que o Médoc. Esta bonita cidade medieval, além de ser conhecida por seus extraordinários vinhos, também conta com um importante acervo cultural que a UNESCO reconheceu, concedendo-lhe o título, em 1999, de Patrimônio Mundial da Humanidade.

Assim como acontece em Pomerol, os vinhos de Saint Èmilion são produzidos a partir das variedades Merlot e Cabernet Franc e uma mínima proporção de Cabernet Sauvignon.

Esta região vinícola apresenta drásticas variações em seu terroir, o que nos permite encontrar vinhedos com solos calcários, argilas com margas, rochas calcárias, solos arenosos ou gravas. As parcelas que se situam nos arredores da cidade que dá nome a esta denominação contam com solos de calcário e argila que conferem vigor e corpo aos seus vinhos, enquanto aqueles vinhedos situados sobre o Dordonha oferecem vinhos mais suaves.

Em Saint Èmilion, a classificação dos vinhos é mais rigorosa e local, ao contrário de outras regiões vinícolas de Bordéus. Os “Châteaux” que produzem vinhos de primeiríssima qualidade se dividem em Premiers Grands Crus Classés (A) e Grands Crus Classés, onde o reconhecido e aclamado Château Cheval Blanc encabeça a lista.

Um cavalo vencedor.

Assim como Petrus é o vinho lendário da região de Pomerol, Saint Èmilion conta com seu cavalo vencedor, o mítico Château Cheval Blanc (cavalo branco)

Château Cheval Blanc é uma elegante mansão que produz esplêndidos vinhos que são considerados como alguns dos mais equilibrados e melhores do mundo. Château Cheval Blanc tem um terroir que o diferencia de outros Châteaux de Saint Èmilion. Os solos de suas parcelas são compostos por aluviões do Período Quaternário com proporções de gravas e argilas praticamente iguais, enquanto no resto da região predominam os solos de pedras calcárias.

Este lendário vinho também conta com seu próprio cúmulo de curiosidades, anedotas e mitos que colaboraram para engrandecer ainda mais sua fama mundial.

Conta-se que Jacques Hebrard, diretor do Château Cheval Blanc, se indignou com a classificação que Robert Parker, o famoso crítico de vinhos, fez de sua safra de 1981 e pediu que ele a provasse novamente. Quando Parker voltou à propriedade, foi atacado pelo cão de Hebrard enquanto este permanecia impassível. Robert Parker pediu a Jacques Hebrard uma bandagem para cobrir o ferimento em sua perna e, em vez disso, Hebrard lhe ofereceu uma cópia do artigo da revista The Wine Advocate. Naquele dia Parker realizou outra degustação e então o encontrou significativamente diferente da anterior. Posteriormente, Robert Parker atualizou suas pontuações e as publicou na edição seguinte de sua revista.

Château Cheval Blanc também é um personagem no cinema e na televisão.

No filme Sideways, um clássico já entre os amantes do vinho, Miles Raymond, o personagem principal, é um apaixonado pela uva Pinot Noir (variedade emblemática dos vinhos da Borgonha) mas odeia os vinhos de Merlot e, sobre os vinhos de Cabernet Sauvignon

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